Obama e McCain pedem 'nova era de reformas' nos EUA

Os dois tiveram o 1º encontro desde a vitória de Obama na disputa presidencial.

Bruno Garcez, BBC

17 Novembro 2008 | 18h48

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e o candidato que derrotou na eleição, o republicano John McCain, tiveram nesta segunda-feira seu primeiro encontro desde a vitória de Obama e defenderam a necessidade de estabelecer ''uma nova era de reformas'' na política americana.Um comunicado conjunto divulgado após o encontro, em Chicago, diz que a reunião dos dois foi "produtiva" e abordou a necessidade de lançar as reformas para combater "desperdícios por parte do governo e amargas divisões partidárias em Washington, de modo a resgatar a confiança no governo e trazer de volta a prosperidade e oportunidades para toda família trabalhadora americana''. Obama e McCain se comprometeram a ''trabalhar juntos nos próximos dias e meses em desafios como o de solucionar a nossa crise financeira, criar uma nova economia energética e atuar pela segurança de nosso país''.Pouco antes do início da reunião, os dois políticos trocaram gracejos a respeito de futebol americano e Obama afirmou que o propósito principal da reunião era buscar formas de ''trabalhar juntos para consertar o país'' e agradecer a McCain ''pelos extraordinários serviços que ele já prestou''.Indagado se pretendia auxiliar a administração do ex-rival, McCain afirmou que ''obviamente''.Assessores do presidente eleito disseram que a reunião não visava discutir um possível cargo para McCain no futuro governo de Barack Obama.Republicano no governoO democrata afirmou em uma entrevista que foi ao ar no domingo no programa de entrevistas 60 Minutes, da rede americana CBS, que sua administração contará com a participação de ao menos um político da oposição republicana.Enquanto posavam para fotos, Obama sorria e brincava com os jornalistas, chamando-os de ''incorrigíveis'', por conta da insistência deles em fazer perguntas, nos minutos que antecederam o início do encontro fechado. O republicano aparentava um certo constrangimento e tinha um semblante algo triste, que contrastava com o ar de segurança do presidente eleito.Durante a disputa, a campanha McCain lançou dúvidas sobre o caráter de Obama, sobre sua suposta associação com William Ayers, um ex-ativista radical dos anos 60, e afirmou que a política fiscal do democrata representava uma guinada socialista para os Estados Unidos.Mas o republicano, no discurso em que reconheceu a vitória do rival, mostrou altivez ao saudar o caráter histórico da conquista de Obama, o primeiro negro a conquistar a presidência dos Estados Unidos, e ainda se comprometeu a ajudar o futuro líder americano. Auxílio da oposiçãoMesmo tendo conquistado a presidência e ampliado sua vantagem na Câmara dos Representantes e do Senado, os democratas precisam do apoio da oposição republicana para implantar algumas medidas para conter a crise financeira no país. Entre elas, estariam uma ajuda para a combalida indústria automobilística americana e outro conjunto de medidas voltados para as famílias americanas de classe média, cujo valor poderia ser de US$ 700 bilhões.Obama é a favor das duas medidas que vêm sendo discutidas e que podem vir a ser votadas na Câmara dos Representantes ainda nesta semana.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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