Obama e republicanos divergem sobre impasse com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entrou em choque na terça-feira com os pré-candidatos presidenciais republicanos a respeito de como confrontar as ambições nucleares do Irã, acusando seus rivais de "baterem os tambores da guerra" sem levarem em conta as consequências.

SUSAN CORNWELL E MATT S, REUTERS

06 Março 2012 | 20h31

Os políticos republicanos falaram à entidade pró-Israel Aipac, e em seus discursos competiram para ser o mais belicoso com o Irã e o mais favorável a Israel. Na opinião deles, Obama é fraco no seu apoio ao Estado judeu.

A questão nuclear do Irã dominou a primeira entrevista coletiva de Obama no ano, concedida no dia em que os republicanos realizaram sua "Superterça", com dez Estados participando da disputa pela indicação republicana à Presidência.

Em visita à Casa Branca do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Obama alertou o líder israelense a não agir "prematuramente" contra o Irã.

Os EUA e Israel suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, algo que Teerã nega. Washington, embora não descarte uma ação militar contra o Irã, diz que a busca por uma solução diplomática precisa ser esgotada, e teme que Israel bombardeie precipitadamente as instalações nucleares iranianas.

"Não há dúvida de que os que sugerem ou propõem ou batem os tambores da guerra deveriam explicar claramente ao povo norte-americano quais eles acham que seriam os custos e benefícios", disse Obama, respondendo rispidamente às críticas dos republicanos.

Rick Santorum, Mitt Romney e Newt Gingrich reservaram um tempo em meio à Superterça para falar à Aipac -o primeiro pessoalmente, os outros dois por teleconferência.

"Se o Irã não se livrar das instalações nucleares, vamos derrubá-las nós mesmos", prometeu o conservador Santorum.

O moderado Romney disse que, se eleito presidente, manterá o apoio a Israel "em todas as condições e todas as consequências". Ele atacou a "procrastinação" de Obama na questão iraniana, defendeu sanções mais duras a Teerã e disse que deixará claro à República Islâmica "os perigos muito reais que a esperam se ela se tornar nuclear".

"Como presidente, estarei pronto para me envolver na diplomacia, mas estarei igualmente pronto para envolver nosso poderio militar", acrescentou.

Gingrich disse que o Irã já ultrapassou um limite no seu programa atômico, e está atualmente "aprofundando seu comprometimento com armas nucleares". Ele disse que, "se um primeiro-ministro israelense decidir que precisa evitar a ameaça de um segundo Holocausto por meio de medidas preventivas, eu não precisaria ser avisado de antemão".

Na sua entrevista, Obama disse que as especulações de que os EUA precisariam se decidir por uma ação militar em questão de semanas ou meses "não está amparada em fatos", mas insistiu que Washington não irá "permitir um Irã com armas nucleares".

(Reportagem adicional de Alister Bull, Caren Bohan e Missy Ryan)

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