Obama fala em mandar homens a Marte

Líder dos EUA descarta missões à Lua e prevê pouso no planeta em meados de 2030

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2010 | 00h00

Os Estados Unidos devem enviar astronautas para orbitar Marte em meados de 2030, com os americanos pisando no solo marciano em seguida, disse ontem o presidente Barack Obama. Ao delinear a sua política espacial na sede da Nasa, em Cabo Canaveral, na Flórida, o líder americano descartou novas viagens para a Lua planejadas pelo governo anterior, apesar da pressão de ex-astronautas e congressistas. "Ao redor de 2025, esperamos que uma nova nave construída para longas jornadas nos permita levar adiante a primeira missão tripulada além da Lua, nas profundezas do espaço. Devemos enviar astronautas para um asteroide pela primeira vez na História. Em meados de 2030, acredito que poderemos mandar humanos para orbitar Marte e retornar com segurança para a Terra. O pouso em Marte virá em seguida", afirmou, ao lado de astronautas que participaram de missões lunares.

A seguir, o presidente rejeitou pressões para que sejam realizadas novas viagens à Lua, interrompidas há mais de três décadas. Seu antecessor, George W. Bush, pretendia retomá-las por meio do programa Constellation, cancelado por Obama. "Entendo que alguns acreditem que devamos tentar retornar para a superfície lunar antes, conforme o planejado. Mas o fato é simples, estivemos lá antes", afirmou.

Reações. Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, Jim Lovell, comandante da nave Apollo 13, e Gene Cernan, último homem a andar na Lua, publicaram carta dizendo que o plano do presidente para a Nasa transformará os EUA em uma nação de "segunda ou mesmo terceira estatura". Eles, assim como muitos parlamentares, lamentam o fim do programa Constellation. Este projeto gera 25 mil empregos e US$ 60 bilhões em contratos.

Entre as iniciativas de Obama está a aposentadoria, nos próximos meses, dos ônibus espaciais, que dominaram a exploração espacial americana nas últimas três décadas. Os opositores de sua política para a Nasa temem que agora os americanos dependam de carona na cápsula de transporte Soyuz, da Rússia.

Missões lunares. O presidente tentou eliminar esse temor ao anunciar que manterá o programa de construção da cápsula Orion. Inicialmente, ela serviria para missões lunares. Agora, terá como função o transporte para a Estação Espacial Internacional. Ele também prevê o uso de veículos construídos pela iniciativa privada.

Obama se comprometeu também em elevar o orçamento da Nasa em US$ 6 bilhões, para incrementar a exploração do Sistema Solar, melhorar o sistema de observação a partir da Terra para estudar as mudanças climáticas e, acima de tudo, incentivar companhias espaciais privadas. "Meu plano adicionará 2,5 mil novos empregos nos próximos dois anos, em comparação com a administração anterior", disse.

"E há um enorme potencial para a criação de ainda mais empregos com as companhias da Flórida e todo os Estados Unidos competindo para ser parte da nova indústria de transporte", acrescentou, prevendo que o setor privado adicione ainda mais 10 mil empregos.

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