Obama obtém vitória para reforma da Saúde

Bancada democrata no Senado assegura votos para prosseguir discussão de projeto governista

, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, conseguiu ontem reunir no Senado os 60 votos mínimos para avançar na discussão do polêmico projeto de reforma do sistema de saúde.

Os governistas precisavam obter o compromisso de toda a bancada democrata e também dos senadores independentes para que a discussão do projeto de lei de 2.074 páginas do líder do bloco majoritário, Harry Reid, tivesse prosseguimento. O Senado conta com 100 cadeiras - os 40 senadores republicanos decidiram votar em bloco contra a proposta.

Ontem à tarde, a senadora Blanche Lincoln - a última dos três senadores que hesitavam em votar com o governo - confirmou seu voto. A sessão, que teve início às 23h de Brasília, avançaria madrugada adentro.

Pelo projeto de Reid, quase todos os americanos serão obrigados a adquirir um seguro-saúde. Em contrapartida, as seguradoras e a parcela mais rica da população pagariam mais impostos para ajudar a bancar os 30 milhões de americanos que hoje não têm nenhuma cobertura médica. Os planos de saúde não poderão negar tratamento a doenças preexistentes nem abandonar clientes quando estes ficam doentes.

Se aprovada, a proposta de Reid ainda terá de ser compatibilizada com um projeto aprovado pela Câmara dos Representantes no dia 7, depois de uma votação apertada: 220 votos a favor e 215 contra.

Esse novo projeto misto ainda deverá ser aprovado pelas duas Casas antes de ser convertido em lei pelo presidente Obama. Não há data para o fim do processo, mas a Casa Branca luta para que isso ocorra até o fim do ano.

A aprovação final levaria à maior mudança na política de saúde nos EUA desde a criação do sistema Medicare para os idosos, em 1965. O projeto de Reid, por exemplo, terá um custo de US$ 849 bilhões, o que explica a grande polêmica que o tema desperta.

Mesmo com as modificações daqui para frente, o objetivo de Obama é criar um mercado de planos regulado pelo governo e estabelecer também uma opção estatal para competir com as empresas privadas e manter as mensalidades baratas. Com isso, 96% dos cidadãos americanos terão cuidado médico assegurado, um número nunca antes atingido no país.

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