Obama recupera-se em disputa com Hillary por vaga democrata

Duas semanas atrás, tomado por umamaré de azar, um incomodado Barack Obama reclamou: "Por que nãoposso comer meu waffle em paz?", quando um repórter atirou-lheuma pergunta durante o café da manhã em um estabelecimento daPensilvânia, pouco antes das prévias democratas naquele Estado. Na terça-feira de manhã, quando o atual líder da corridapela vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais dosEstados Unidos sentou-se para degustar uma omelete em umrestaurante de Greenwood (Indiana), o clima parecia ser bemmais ameno. Os eleitores acorriam às urnas de Indiana e da Carolina doNorte enquanto Obama comentava sobre seus planos e suasexpectativas, além de fazer piada a respeito de seu peso. A acirrada disputa entre o senador do Estado de Illinois esua adversária de partido, Hillary Clinton, testemunhou muitasreviravoltas. Mas, na terça-feira, Obama venceu com folga as prévias daCarolina do Norte, ao passo que Hillary conquistou um primeirolugar apertado em Indiana. Os assessores do pré-candidato vieram a público argumentarque Obama recuperava seu favoritismo e que não demoraria muitopara a senadora do Estado de Nova York ser obrigada a desistirda corrida pela vaga democrata. "Estamos nos aproximando da linha de chegada", disse oprincipal estrategista de campanha do pré-candidato, DavidAxelrod. "Temos muito o que comemorar hoje à noite e acho que opessoal da Hillary tem muito sobre o que pensar." No entanto, se o senador encontra-se realmente prestes aconcluir a disputa, ficando mais perto de tornar-se o primeiropresidente negro dos EUA, isso ocorrerá apesar de uma série dereveses ocorridos nas últimas semanas. Em fevereiro, enquanto acumulava vitórias consecutivas nasprévias democratas, o confiante e bem articulado Obama pareciagarantir sua presença no embate pela Presidência do país contrao candidato republicano, senador John McCain, em novembro. No entanto, ao surgimento dos polêmicos sermões doex-pastor de Obama, reverendo Jeremiah Wright, seguiram-sevários tropeços. A declaração do pré-candidato sobre os eleitores"amargurados" das pequenas cidades norte-americanasaferrarem-se a suas armas e à religião revelou-se um tiro nopróprio pé. McCain e Hillary usaram aquelas palavras paraacusar Obama de ser elitista. VIGOR RENOVADO Seu fracasso nas prévias de Ohio e da Pensilvânia levantoudúvidas sobre a elegibilidade dele, já que, naqueles Estados,saiu-se mal com os eleitores brancos da classe operária, umeleitorado tradicionalmente democrata. Obama pouco contribuiu ao ter um desempenho fraco em umdebate em Filadélfia, quando ficou na defensiva a respeito deWright, de seu patriotismo e do motivo pelo qual havia optadopor não usar o broche da bandeira norte-americana na lapela. Antes das prévias na Pensilvânia, no dia 22 de abril, Obamaapresentou ares de cansaço e falou sobre sentir saudade de suasduas filhas. O pior momento do pré-candidato ocorreu quanto Wrightvoltou à cena e repetiu suas declarações controversas, entre asquais a de que os ataques de 11 de setembro de 2001 e adisseminação da Aids entre os negros eram em parte culpa dogoverno norte-americano. Naquele momento, Obama adotou uma medida que até entãoparecia relutante em adotar: cortou seus laços com Wright deforma categórica. Um dia depois, começou a fazer campanha em Indiana com umvigor renovado, realizando vários eventos como piqueniques evisitas a rinques de patinação, a fim de mostrar seu lado"homem comum." Mais relaxado, Obama respondeu com frequência às perguntasde repórteres e adotou um ar mais espontâneo. O pré-candidato e seus assessores depararam-se com umaquestão favorável quando Hillary começou a dar apoio a uma"suspensão" temporária do imposto cobrado sobre a gasolina --uma idéia defendida também pelo candidato republicano. Obamaafirmou ser contrário à idéia por uma questão de princípios eacusou a adversária de oportunismo político. Quando a maratona de eventos de campanha chegava ao fim, opré-candidato caiu da cama às 4h30, na terça-feira, paraconceder entrevistas a canais de TV e para visitar operários emuma obra. Ele terminou o dia à meia-noite, cumprimentando ostrabalhadores de uma fábrica de peças de automóveis emIndianápolis. Na manhã de quarta-feira, Obama regressava para casa.Quando seu avião pousou em Chicago, o senador sorria de orelhaa orelha. Seus assessores lhe haviam dito que os resultados davotação em Indiana ainda eram incertos, mas que a vantagem deHillary, se confirmada, seria muito pequena. "Bom trabalho", afirmou Obama a seus principais assessorespouco antes de sair do avião ao lado de sua mulher.

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