Obama vai lançar novo plano para emprego

Parte dos US$ 700 bi destinados a salvar bancos será redirecionada para programa de criação de vagas nos EUA; taxa de desemprego cai para 10%

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

O governo dos Estados Unidos indicaram que parte dos US$ 700 bilhões destinados ao programa para salvar bancos e empresas ameaçadas de quebra por causa da crise (Tarp, na sigla em inglês) pode ser direcionada para a criação de postos de trabalho. O anúncio ocorre no mesmo dia em que o Departamento do Trabalho divulgou uma redução para 10% na taxa de desemprego.

A afirmação foi feita pelo porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. Segundo ele, esse montante seria acrescido ao programa de estímulo da economia já usado para o combate ao desemprego. O anúncio oficial para delinear o novo plano será feito pelo presidente Barack Obama, em discurso na próxima terça-feira, em Washington. Ao todo, há US$ 139 bilhões disponíveis do Tarp, sem contar o que já foi pago com juros por alguns bancos e empresas.

Ao longo desta semana, Obama manteve uma série de discussões com empresários, sindicalistas e políticos para discutir a questão do desemprego, que passou a ser a sua prioridade, depois de anunciar o envio de tropas para o Afeganistão e a reforma no sistema de saúde. O desemprego, ainda em dois dígitos, é considerado um dos principais problemas da economia americana. Quando a recessão começou, em dezembro de 2007, a taxa de pessoas sem trabalho era metade da atual.

Apesar do novo plano, a Casa Branca segue reticente sobre uma proposta de lei dos democratas no Congresso que pode elevar ainda mais o gigantesco déficit causado pelo programa de estímulo e os gastos com guerras no Afeganistão e no Iraque. Deputados e senadores, que disputam eleição no ano que vem e sabem que a questão do emprego pesará na votação, defendem um aumento em investimentos em infraestrutura, elevação na ajuda para cidades e Estados e intensificação nos empréstimos para pequenos empresários.

Segundo o Departamento do Trabalho, apesar da redução de 11 mil postos de trabalho em novembro, o desemprego caiu 0,2 pontos porcentuais para 10%. A expectativa, de acordo com pesquisa com economistas realizada pela agência de notícias Bloomberg, era de manutenção na taxa e perda de até 125 mil empregos no mês passado. Houve aumento no desemprego nas áreas da construção civil, indústria e informação, enquanto serviços e sistema de saúde registram queda. A taxa continua mais elevada entre hispânicos (12,7%), negros (15,6%) e adolescentes (26,7%). Ao todo, 15,4 milhões estão desempregados nos EUA.

Em discurso na Pennsylvania, Obama mostrou cautela ao comentar a taxa de desemprego. "Temos um longo caminho pela frente antes de celebrar. Ainda considero demasiada a perda de apenas um emprego. Nossa jornada não será sem obstáculos e muita luta. Mas a direção está clara", afirmou o presidente. A secretária do Trabalho, Hilda Solis, adotou o mesmo tom em comunicado com a posição oficial do governo. "Estamos encorajados pela tendência de redução moderada nos empregos. Porém, não ficaremos satisfeitos até conseguir ganhos robustos", disse. Economistas preveem que pode demorar até cinco anos para a taxa de desemprego voltar para 5%, que era a média no período anterior à crise. Um dos principais problemas é o número de desempregados por um longo prazo (mais de 27 semanas), que voltou a crescer em novembro.

O líder do Partido Republicano na Câmara dos Deputados John Boehner, criticou o governo. "Toda redução na taxa de desemprego é importante, mas um desemprego de dois dígitos não é o que foi prometido aos americanos", afirmou.

O resultado do desemprego foi bem recebido pelo mercado, com o dólar se fortalecendo e alta nos títulos do Tesouro dos EUA. O índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York fechou em alta de 0,21%.

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