Obama visita costa e fala em desastre

Presidente dos EUA admite que vazamento de óleo no Golfo do México não tem precedentes; BP reconhece que não consegue estancá-lo

AP, Afp e Latimes, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

VENICE, EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu ontem que o vazamento de petróleo de uma plataforma que explodiu no Golfo do México no dia 20 ameaça se transformar num "desastre ambiental gigantesco e sem precedentes" que levará muito tempo para ser controlado. Obama viajou ontem para a região para monitorar o trabalho de contenção da mancha de óleo, que já chegou ao litoral dos Estados da Louisiana e da Flórida.

Equipes que tentam limpar a mancha não tiveram muito sucesso em obstruir o fluxo de óleo, que jorra de um poço do fundo do mar operado pela companhia British Petroleum (BP) situado a 80 quilômetros da costa da Louisiana. Tampouco conseguiram remover o óleo da superfície pelo processo de queima ou com uso de produtos químicos.

Além disso, especialistas alertam que o poço de petróleo poderia criar um cenário de pesadelo caso as correntes do Golfo do México dispersem a mancha para o restante do Oceano Atlântico.

Sob ameaça de tornados, Obama evitou sobrevoar a região de helicóptero e dirigiu de Nova Orleans até as regiões mais próximas do mar, onde tanto o governo quanto a petrolífera British Petroleum (BP) tentam conter a imensa mancha de óleo, estimada em 50 quilômetros de extensão.

Gritante. De acordo com o almirante Thad Allen, comandante da Guarda Costeira, o volume de óleo cru que vaza do poço localizado a 1,5 mil metros de profundidade pode subir a 100 mil barris por dia. Segundo ele, seriam necessários de 60 a 90 dias para que a BP perfurasse poços complementares, para ajudar a estancar o fluxo. Allen clamou para a urgência de interromper o fluxo de óleo.

"A diferença entre 1.000 e 5.000 barris por dia (a previsão original) e o derramamento potencial de 100 mil é gritante. Me leva a acreditar que há um série de imprecisões associadas a esse poço de petróleo", disse Allen.

Nesse ritmo, o atual vazamento pode ofuscar o desastre do navio Exxon Valdez, de 1989, que causou o maior vazamento de petróleo da história dos EUA - 42 milhões de litros. Especialistas afirmam que o atual derramamento (estima-se em 800 mil litros diários ou 6 milhões até ontem) poderá ser ainda pior.

Doug Suttles, chefe de operações da BP, admitiu que é impossível saber a quantidade de óleo que está vazando. O problema, segundo ele, é que a explosão danificou a válvula de segurança que sela o poço. "Para consertar o problema será necessário vedar o local", disse. Trata-se de um desafio técnico jamais enfrentado pela companhia (veja o infográfico). "É como realizar uma cirurgia cardíaca a 1,5 mil metros de profundidade e sem luz."

A demora e insegurança de como lidar com o vazamento ajudaram a aumentar as críticas ao governo e à BP, dona da plataforma Deepwater . "Vou ser claro: a BP é responsável por este vazamento e pagará a fatura", disse Obama. "Mas, como presidente dos Estados Unidos, farei todos os esforços para responder a essa crise enquanto ela durar", acrescentou.

PARA LEMBRAR

Vazamento começou após explosão

O vazamento de óleo no Golfo do México começou após a explosão da plataforma operada pela companhia British Petroleum (BP), no dia 20 de abril. Após ficar dois dias em chamas, a plataforma afundou. Desde então, o petróleo não para de jorrar do poço localizado a 1,5 mil metros de profundidade. A mancha de óleo continua avançando e chegou à costa da Louisiana. Autoridades baniram a pesca numa faixa que vai da foz do Rio Mississippi até a Flórida.

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