Objetivo Integrado é o número 1 do País

Escola, que seleciona melhores alunos de outras unidades de sua rede, conquista maiores notas nas quatro provas de múltipla escolha

CARLOS LORDELO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h13

O Colégio Objetivo Integrado teve a melhor nota do País nas quatro provas objetivas, as de múltipla escolha, do Enem de 2011. O desempenho colocou a escola da Avenida Paulista, em São Paulo, no topo do ranking nacional pela segunda vez consecutiva, com cerca de 737 pontos. A média, no entanto, foi menor que a do Enem 2010, quando a unidade somou 745 pontos na parte objetiva do exame.

"Fizemos barba e cabelo", diz o fundador e diretor do Sistema Objetivo, João Carlos Di Gênio. O Colégio Integrado funciona dentro de outra unidade da rede de ensino. Tem apenas uma turma no 3.º ano do ensino médio - e de uma a duas classes no 1.º e no 2.º ano. Escolas concorrentes dizem que os alunos são selecionados entre os melhores do Sistema Objetivo, como uma estratégia para melhorar o desempenho da unidade no Enem, mas Di Gênio nega.

"Não fazemos prova. Selecionamos os alunos por entrevistas com psicólogos, para ver se o estudante é talentoso", afirma o diretor. Para ele, colégios que costumam criticar o Integrado, como o Bandeirantes e o Etapa, ficaram "nervosinhos" com a divulgação das notas do Enem. "E eles fazem provinha de seleção."

Das 46 unidades do Sistema Objetivo em São Paulo classificadas no Enem 2011, 4 ficaram entre as 50 melhores do País. Segundo Di Gênio, o mérito do Integrado para encabeçar o ranking é dos 42 alunos que fizeram a prova. "Eles são brilhantes", afirma. Ele diz que o Colégio Integrado foi criado em 2009 a pedido de estudantes que queriam atividades em período integral. "Eram alunos que participavam de olimpíadas científicas, muito talentosos", assegura.

O diretor também atribui o sucesso aos professores, muitos deles há décadas trabalhando no Objetivo. Uma das estratégias usadas para manter os docentes no grupo é a possibilidade de comandar "franquias". Após dez anos lecionando na rede, o professor pode abrir uma escola cooperativada ao sistema de ensino.

Foi o que fez Vera Lúcia Antunes, professora veterana de Geografia, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. No ano passado, Vera copiou o modelo da capital e adotou o regime integral na 3.ª série do ensino médio do colégio. A média da escola de Mogi subiu de 674 no Enem 2010 para 706 na edição de 2011. O número de participantes, no entanto, despencou de 84 para 34.

Di Gênio não quis comentar o desempenho da escola de Mogi. Diz que o número de alunos inscritos no exame pode ter caído porque "tem uma parte que desiste quando o colégio adota o tempo integral". Segundo ele, esse também é o motivo de o seu colégio na capital ter apenas uma turma no último ano do ensino médio.

Redação. O fundador do Sistema Objetivo elogiou as mudanças na forma de divulgação das notas das escolas. Para ele, o método antigo, que tirava uma média ponderada da parte objetiva com a redação, criava distorções. "A redação tem aqueles problemas. Há discussões sobre a subjetividade (na correção)."

Quando se considera apenas a nota da redação, o Colégio Integrado teve apenas a 31.ª melhor nota do País, com 750 pontos. O líder, o Colégio Elite Vale do Aço, de Minas, marcou 830 pontos. "Isso não quer dizer nada. O Integrado é um colégio bom também em redação."

Apesar das críticas de educadores aos rankings, o empresário defende a divulgação desses dados. "A vantagem do ranking é que se começa a valorizar uma elite intelectual que o Brasil precisa tanto ter", diz. "Todas as escolas que ocupam os primeiros 50 lugares são boas. A diferença de média é pequena entra elas. Estão todas de parabéns."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.