Obra na Serra do Cafezal vai durar 4 anos, diz empresa

A duplicação dos 19 quilômetros da rodovia Régis Bittencourt (BR-116) na Serra do Cafezal, em Miracatu (SP), consumirá quatro anos de obras, segundo a concessionária da estrada. É o mesmo tempo gasto na construção da segunda pista da rodovia dos Imigrantes, principal acesso ao litoral paulista, inaugurada há dez anos.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

08 de janeiro de 2013 | 17h26

Além de mais extensa, com 21 km, a nova Imigrantes exigiu a abertura de 8,23 quilômetros de túneis e a construção de 4,27 km de viadutos. Com isso, a área desmatada na Serra do Mar resumiu-se a 40 hectares. Foram consumidos 420 mil metros cúbicos de concreto e 25 mil toneladas de aço. As obras foram feitas pela concessionária Ecovias, por meio do programa estadual de concessões rodoviárias.

Na Régis, o projeto para a Serra do Cafezal inclui uma pista com três faixas de rolamento no sentido São Paulo e duas faixas no sentido Curitiba. Para reduzir o impacto na mata, serão construídas 36 pontes e viadutos, num total de sete quilômetros, e quatro túneis com total de 1,8 km. A obra consumirá cerca de 100 mil metros cúbicos de concreto e exigirá a movimentação de 1,4 milhão de metros cúbicos de terra. O desmatamento deve atingir 114 hectares. De acordo com o superintendente da Autopista Régis Bittencourt Eneo Pallazi, a obrigação de fazer a nova pista ao longo da existente limita a produtividade da obra, a mais importante do contrato de concessão com o governo federal.

Ambientalistas cobravam o emprego de técnicas semelhantes às usadas na construção da Imigrantes para reduzir a supressão da Mata Atlântica que recobre a serra. Na via de acesso ao litoral paulista, foi utilizada tecnologia para ampliar de 45 para 90 metros a distância entre os pilares de viadutos e trabalhadores e equipamentos foram transportados por guindastes até o local da construção, evitando a abertura de clareiras. Para se ter uma ideia, a área desmatada foi reduzida em 40 vezes na comparação com a construção da primeira Imigrantes, na década de 1970.

Pallazi lembra que a nova pista da Imigrantes contou com a estrada de serviço aberta durante a construção da primeira estrada. Na Régis, não serão executados caminhos de serviço para evitar corte de vegetação. A empresa terá de realizar a obra ao longo da pista atual e seguindo o mesmo traçado.

A licença dada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a obra na Régis, publicada na edição de segunda-feira (7) do Diário Oficial da União, estabelece condicionantes para reduzir o impacto ambiental. Antes de retirar a mata, a concessionária terá de identificar a fauna existente no local, colher amostras de água dos mananciais existentes na área e coletar sementes de espécies ameaçadas de extinção.

A Autopista Régis Bittencourt informou que pretende cumprir essas exigências num prazo de aproximadamente 90 dias. Isso porque a empresa já obteve a liberação das áreas necessárias à duplicação. A licença abrange o único trecho não duplicado do corredor rodoviário entre São Paulo e Florianópolis, que vai do km 344 o km 366, em Miracatu. O local, com pista simples e sinuosa, é recordista em acidentes. As obras têm o custo previsto em R$ 700 milhões.

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