Obras de US$ 19,1 mi abrem leilão em NY

Aquarela de Cézanne e natureza-morta de Matisse atingem mesmo valor na 1ª noite

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2012 | 03h07

Com a venda, na noite de anteontem, em Nova York, de uma aquarela do francês Paul Cézanne (1839-1906) por US$ 19,12 milhões, e de uma natureza-morta pintada em 1907 por Henri Matisse pela mesma cifra, começou a temporada de destaque dos leilões de arte impressionista e moderna realizados pelas duas mais importantes casas do gênero, a Christie's e a Sotheby's.

Um Jogador de Cartas, esboço que o pós-impressionista Cézanne criou em meados de 1890 para a concepção de uma de suas mais famosas telas, Jogadores de Carta, foi encontrado na coleção privada de um médico que vivia em Dallas, no Texas, e morreu em setembro. A obra não era vista pelo público desde 1953. Foi arrematada por telefone, por um colecionador anônimo.

Além da aquarela de Paul Cézanne e da pintura de Matisse, o leilão promovido anteontem pela Christie's vendeu outros 26 lotes, arrecadando mais de US$ 117 milhões - apenas 3 obras não conseguiram compradores.

Entre os destaques, ainda, O Descanso, retrato de Marie-Thérese Walter, amante de Picasso, pintado pelo artista em 1932, foi vendido por US$ 9,88 milhões.

O evento também apresentou uma seleção de outras obras do espanhol, criadas em diferentes épocas e de distintos estilos. Como Femme Assise, de 1953, uma tela geométrica representando uma mulher que faz lembrar Françoise Gilot, outra das amantes de Picasso e mãe de dois de seus filhos. Um comprador a arrematou por telefone por US$ 5,2 milhões. Outro espanhol também se destacou no leilão, o surrealista Joan Miró (1893-1983), autor de L'Arête Rouge Transperce les Plumes Bleues de l'Oiseau au Pâle Bec, quadro que alcançou US$ 4,33 milhões.

Grito. Entretanto, a grande expectativa da temporada seria a venda de uma das obras mais emblemáticas do artista norueguês Edvard Munch (1863-1944), O Grito, com estimativa de exceder a cifra de US$ 80 milhões. A obra era, ontem, o lote de número 20 do leilão da Sotheby's em Nova York, mas até o início da noite de ontem não havia sido oferecida aos compradores.

Trata-se da única versão que estava nas mãos de colecionadores privados. Em sua carreira, Munch realizou quatro versões de O Grito - pintadas entre 1893 e 1910. A tela, simbolista e expressionista, retrata um homem gritando sobre uma ponte em meio a uma atmosfera de cores tortuosas e fortes (com predominância do laranja, que forma as faixas do céu).

A expectativa quanto à venda dessa pintura estava relacionada à possibilidade de seu valor ultrapassar o recorde de uma pintura vendida em leilão, Rapaz com Cachimbo, criada por Picasso em 1905 e leiloada pela mesma casa Sotheby's, em 2004, por US$ 104,1 milhões - o maior valor pago já conquistado por uma obra em um evento foi, na verdade, a escultura L'Homme Qui Marche I, de Giacometti, que alcançou US$ 104, 3 milhões em 2010.

Em uma carta enviada em 22 de fevereiro para o jornal The New York Times, a leitora Eugenia Hauptman questiona o fato de a obra de Munch estar sendo comercializada. "Nenhuma das quatro versões desse grande trabalho deveria ser brandida como troféu ou investimento. Todas deveriam pertencer a uma galeria para visitação pública. É deprimente pensar que a arte que poderia enriquecer nossas vidas permaneça no mercado." / AP, REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.