Felipe Rau/AE
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'Obras embargadas podem estar em andamento', diz Haddad

Segundo prefeito de SP, lista foi publicada no Diário Oficial para 'fiscalização ser descentralizada e para que as denúncias cheguem ao poder público'

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

03 de setembro de 2013 | 16h37

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu nesta terça-feira a possibilidade de que obras entre as 570 embargadas na capital paulista possam estar em andamento irregularmente, ou até mesmo já estejam regularizadas. De acordo com Haddad, a lista com as obras publicadas nesta segunda-feira, 2, no Diário Oficial da Cidade de São Paulo foi para que a fiscalização fosse descentralizada à população e que denúncias sobre elas cheguem ao poder público.

"Eu não saberia dizer (sobre a situação das obras). Eu mandei publicar a lista para ter o controle e, ao dar público, permito que pessoas possam dar informações que de outra maneira não teria", disse. "A partir do momento que a imprensa nos ajude na fiscalização, que os vizinhos do imóvel embargado façam chegar à controladoria os elementos de que o trabalho está sendo bem feito, a gente vai corrigindo eventuais distorções na ponta", completou.

Na manhã desta terça-feira, 3, a reportagem visitou uma obra onde uma pessoa morreu, em 1º de março, na Avenida Liberdade, na região central da capital, que segue em andamento. A reportagem flagrou três operários trabalhando no local. A decisão de publicar a lista de obras embargadas aconteceu após a queda, na semana passada, de um galpão na Avenida Mateo Bei, na zona leste da cidade, que causou dez mortes e deixou 24 feridos.

O prefeito de São Paulo ainda "uma irregularidade formal" pelo fato de a Prefeitura não ter substituído o fiscal responsável pela obra, Valdecir Galvane de Oliveira, que, mesmo tendo pedido várias vezes a aposentadoria, ainda trabalhava no cargo e fora o responsável pelo embargo e a multa ao proprietário do imóvel. A afirmação de Oliveira foi dada em entrevista à Rede Globo de Televisão.

"Pareceu-me sincera a afirmação dele e isso coloca o desafio à controladoria. De apurar o porquê não foram feitos os procedimentos de comunicar a autoridade policial e, eventualmente, levar o MP (Ministério Publico) a denúncia. Se ele se aposentou, qual seria o procedimento para que alguém assumisse as suas funções? É isso que vai ser investigado", afirmou Haddad, que voltou a acusar os responsáveis pela obra. "Se há que se falar alguma coisa sobre suspeita, evidentemente, é em relação ao dono da obra. O dono da obra desrespeitou a legislação, o embargo, foi multado e, ao que tudo indica, não observou sequer os parâmetros técnicos e construtivos para garantir a segurança dos trabalhadores", concluiu.

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