Observadores dão sinal verde para eleição no Paraguai

'O processo eleitoral está pronto', diz o chefe da missão da OEA no país; segundo ele, não houve denúncias

Marcia Carmo, enviada especial da BBC Brasil a Assunção, BBC

19 de abril de 2008 | 16h25

Observadores internacionais e a Justiça Eleitoral do Paraguai afirmaram que existem "condições" para a realização das eleições presidenciais neste domingo no país, apesar de suspeitas de fraude apontadas pela oposição.   Veja também:   . O professor Francisco Doratioto analisa a conjuntura política do Paraguai   "O processo eleitoral está pronto para o pleito", disse neste sábado o chefe da missão da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), Andrés Pastrana, ex-presidente da Colômbia, em entrevista ao canal 13 de televisão. "Nenhuma denúncia foi feita ao Tribunal até agora", afirmou o vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, Juan Manuel Morales, em entrevista neste sábado. Apesar da aparente tranqüilidade das autoridades eleitorais, neste sábado foram encontradas bombas de fabricação caseira em um hospital e em um supermercado em Assunção. Partido Colorado A chefe da missão da Organizaçao de Estados Americanos (OEA), María Emma Mejía, pediu que os dados oficiais fossem liberados em parciais ao longo da apuração, para evitar suspeitas. A Justiça Eleitoral paraguaia pretendia informar somente depois que 80% da contagem dos votos fossem concluídas. Os observadores internacionais conseguiram fazer com que representantes dos partidos da oposição acompanhem a contagem dos votos neste domingo. Essa foi uma das reivindicações do presidenciável Fernando Lugo, ex-bispo da Igreja Católica, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APM, na sigla em espanhol) e favorito para vencer o pleito, segundo diferentes pesquisas. "Espero que tenhamos um domingo tranqüilo, mas já falei sobre as minhas preocupações de que ocorra fraude, de que o Partido Colorado não aceite uma derrota", afirmou ele a jornalistas estrangeiros na sexta-feira. O Partido Colorado está há 61 anos ininterruptos no poder. Na história de quase 200 anos do Paraguai jamais foi feita uma transição de um partido do governo para outro da oposição. As transições sempre ocorreram por golpes militares, como recordam diferentes analistas políticos paraguaios. "Mas não temos que esperar o apocalipse. Que seja uma transição tranqüila, dependendo do resultado das urnas", afirmou Lugo. O professor de economia da Universidade Nacional de Assunção, Dionísio Borda, ex-ministro da Economia do atual governo, disse que a desconfiança no sistema eleitoral é justificada pelo "constante uso da máquina oficial". "O Partido Colorado é um partido que está presente em todas as instituições, estatais e etc. No Paraguai, não existem concursos. Os cargos são por indicação política. Mas os eleitores parecem cansados das denúncias de corrupção e da falta de desenvolvimento do país", disse. Esta semana, o jornal Ultima Hora publicou pesquisa mostrando que 41% dos entrevistados acham que a candidata do governo, Blanca Ovelar, do Partido Colorado, vencerá as eleições, apesar de Lugo liderar as intenções de voto, com 34,5%. "A diferença entre a percepção de quem será o ganhador e a intenção de votos estaria explicada no argumento das pessoas de que a poderosa máquina eleitoral do Colorado será utilizada no dia D", publicou o jornal, a partir dos dados do levantamento da Coin Consultores.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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