Odilon da Costa Manso, 100 anos

Data foi celebrada pela APL

, O Estadao de S.Paulo

03 Março 2010 | 00h00

Dedicado às letras jurídicas e literárias, o desembargador Odilon da Costa Manso completaria 100 anos em 2010. A data foi celebrada na sessão do dia 11 de fevereiro da Academia Paulista de Letras (APL), onde Manso ocupou a cadeira 21 de 1986 até 2000, quando morreu.

A trajetória profissional do desembargador e colaborador do Estado foi lembrada pelo presidente da APL, José Renato Nalini, que fez um discurso em sua homenagem. Também discursaram os acadêmicos Francisco Marins e Paulo José da Costa Jr., atual ocupante da cadeira 21. O acadêmico Paulo Bomfim, amigo de Manso, ilustrou a data comemorativa nos versos do poema No centenário de Odilon da Costa Manso.

Nascido no município paulista de Casa Branca no dia 16 de fevereiro de 1910, Manso era filho do ministro Manoel da Costa Manso e de Ursulina Rodrigues da Costa Manso. O desembargador foi criado em São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1931. No ano seguinte, se alistou em um batalhão de estudantes voluntários, sob o comando do tenente-coronel Romão Gomes, para combater na Revolução Constitucionalista.

Graduado em 1935, ele foi o primeiro promotor público a ser nomeado por concurso, em 1936 - antes, o cargo só era preenchido por indicação. Manso ocupou ainda cargos de subprocurador geral da Justiça, consultor geral da República e desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), função assumida em 1951, aos 41 anos, e ocupada até a aposentadoria, em 1961. Na academia, foi fundador e professor da extinta disciplina de História do Direito Nacional na Faculdade de Direito da PUC São Paulo.

Além da carreira jurídica, Manso se dedicou à escrita de artigos, contos e poemas. Ele colaborou para o Estado em 1979, quando escreveu as séries de artigos jurídicos A Federação no regime de arbítrio e A reforma do Poder Judiciário, e outros três artigos. Ao todo, escreveu oito livros e publicou artigos em outros jornais e revistas.

Manso também integrou instituições como a União Brasileira de Escritores, o Instituto Genealógico Brasileiro, o Instituto Histórico Geográfico de São Paulo e a Associação dos Cavaleiros de São Paulo e a Ordem dos Velhos Jornalistas.

Depois de se aposentar, o desembargador viveu em uma chácara em Mogi Mirim, cidade de sua mãe, onde recebeu o título de cidadão honorário e benemérito e foi sócio-fundador do Centro Mogimiriano de Cultura. Seu nome foi imortalizado pela cidade no Teatro Prof. Odilon da Costa Manso.

Casado duas vezes, teve duas filhas do primeiro matrimônio. "Meu pai sempre foi uma pessoa muito simples. Todos os seus netos e bisnetos guardam a lembrança de um homem amoroso e dedicado à família", descreveu sua filha, a dona de casa Maria da Costa Manso Vasconcellos. Manso faleceu no dia 7 de agosto de 2000, aos 90 anos, e foi sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

NO CENTENÁRIO

"São Paulo, emoção, lembrança

De Odilon da Costa Manso!

Fala a terra bandeirante

Do indômito defensor

De seu povo, de suas lutas,

Das epopeias que dormem

Em chãos de Piratininga.

Odilon, meu sábio Irmão,

O tribuno, o magistrado,

O historiador e o acadêmico,

O pai, o avô e esse amigo

Habitante da saudade.

Falo do mestre e confrade,

Desse herói de 32,

Daquele que fez da toga

Seu poncho de combatente

Por São Paulo e pela Lei.

As águas do Paraíba

E os sinos da Casa Branca,

Celebram sonho paulista,

Bandeira viva que foi

Odilon da Costa Manso".

Paulo Bomfim

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