Ódio e divisão marcam palestinos nos 60 anos de Israel

Divididos e irados, ospalestinos lamentaram na quinta-feira os 60 anos da criação deIsrael, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, comemorava a existência de "uma pátria para um povoescolhido [o povo judeu]". Protestos, sirenes e balões pretos marcaram a "Nakba"--catástrofe em árabe, termo usado pelos palestinos para sereferir à data da fundação de Israel. Mas a unidade de outros anos deu lugar a uma profundadivisão entre o governo de Mahmoud Abbas, que tenta negociar apaz com Israel, e o grupo islâmico Hamas, contrário ao diálogo. Na Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, quase mil criançassaíram às ruas fantasiadas de militantes, armados com armas elançadores de morteiros de brinquedo. Na Cisjordânia, governada por Abbas, o presidente defendeua reconciliação, mas cobrou o fim da ampliação dosassentamentos judaicos. "Passaram-se 60 anos. É hora de acabar a Nakba para o povopalestino", disse Abbas, que retomou em novembro o processo depaz, que desde então teve poucos avanços. Já a mensagem do Hamas conclamava os palestinos a se uniremà "resistência" contra Israel, e pedia a Abbas que "abandonetodas as ilusões de negociação". Ao meio-dia, sirenes soaram nas cidades da Cisjordânia. Emalgumas ruas, o tráfego parou por dois minutos. Em Gaza,multidões protestaram contra o bloqueio econômico israelense. Emissoras rivais das facções Hamas e Fatah (de Abbas)transmitiram imagens de palestinos que fugiram ou foramexpulsos em 1948 do território que hoje forma Israel. A tensão entre ambas as partes era palpável em Gaza, ondeas forças do Hamas impediram seguidores da Fatah de realizarseu próprio comício alusivo à "Nakba" no campo de refugiados deJabalya. Os protestos davam ênfase ao drama dos refugiadospalestinos e de seus descendentes, dos quais 4,5 milhões vivemespalhados pela Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em outrasregiões, muitas vezes em miseráveis campos de refugiados. (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza, AliSawafta em Ramallah e Tabassum Zakaria em Jerusalém)

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