OIT pede foco em emprego nos socorros financeiros

Os pacotes de resgate dos governos devem prestar atenção a questões sociais e laborais para estimular a efetiva retomada da economia, defendeu a Organização Internacional do Trabalho (OIT) na terça-feira.

REUTERS

24 de março de 2009 | 16h12

A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) informou que um estudo sobre 40 pacotes colocados em prática por 40 países mostrou que o socorro à indústria financeira respondia por até cinco vezes mais fundos que o estímulo fiscal para a economia real.

Agora há um risco de uma recessão prolongada no mercado de trabalho, disse a OIT em relatório publicado uma semana antes de uma cúpula do G20 reunindo países convocados a combater a crise.

"Gostaríamos de ver o G20 refletir em seu comunicado o reconhecimento de que questões trabalhistas, questões de proteção social e questões humanas também são importantes para eles", disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, em entrevista coletiva.

A OIT prevê que o desemprego global suba em 38 milhões de pessoas este ano, após um aumento de 14 milhões em 2008, elevando a taxa de desemprego mundial para acima dos 7 por cento.

"As medidas tomadas até agora não têm tido um efeito importante e dos recursos colocados em jogo uma quantia insuficiente está relacionada à criação de empregos, com proteção social e com questões humanas", disse Somavia.

Os 40 pacotes envolveram um total de 1,19 trilhão de dólares, chegando a 1,7 por cento do PIB combinado dos países - menos do que os 2 por cento recomendados pelo Fundo Monetário, disse Raymond Torres, diretor do Instituto OIT.

Torres pediu por uma coordenação melhor dos diferentes pacotes. Se as medidas corretas, bem coordenadas, fossem implementadas nos próximos três meses, o mercado de trabalho poderia começar a se recuperar a partir do início do ano que vem, afirmou ele.

Mas se elas forem postergadas por seis meses, a recuperação do mercado de trabalho ocorreria apenas em 2011, no melhor dos casos.

"É muito difícil reduzir o desemprego de longo prazo uma vez estabelecido, é muito difícil promover a transição da informalidade para o emprego formal uma vez que se tem uma grande informalidade", afirmou ele.

A OIT, agência da ONU que reúne sindicatos, empregadores e governos em questões trabalhistas, pediu por um "pacto de trabalho global" a fim de evitar uma crise de pobreza e de trabalho.

Isso garantiria um fluxo de crédito para os negócios, reforçar padrões trabalhistas aceitáveis, redes de segurança social e pensões, evitar uma onda de deflação e protecionismo que reduziria ainda mais a demanda, e aumentar a cooperação internacional.

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