Naideron Jr/Divulgação
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Oito cervejeiros e um segredo fermentando

Produtores e especialistas do Brasil, Estados Unidos, Escócia e Canadá se reuniram nesta semana em Curitiba para criar uma nova cerveja. O resultado deve sair em novembro, mas em edição bastante limitada

Roberto Fonseca / CURITIBA,

27 Outubro 2011 | 15h15

Dizem que quanto mais pessoas sabem de um segredo, menores são as chances de que ele dure muito tempo. O mistério guardado desde segunda-feira por oito cervejeiros reunidos em Curitiba, porém, tem data para acabar: meados de novembro.

É quando a Way Double American Pale Ale, cerveja colaborativa que envolveu a participação de produtores e especialistas do Brasil, Estados Unidos, Escócia e Canadá, deve ficar pronta. Ela deve ser apelidada de 8S, cuja explicação, embora remeta à ideia de "oito homens e um segredo", os envolvidos fazem questão de deixar em aberto.

Segundo Alejandro Winocur, da Way, a ideia inicial era fazer uma cerveja comemorativa do primeiro ano de existência da marca. Até ele e o sócio, Alessandro Oliveira, saberem que a cervejaria escocesa Brewdog, conhecida pelo estilo radical de suas produções, mandaria ao Wikibier - evento cervejeiro que ocorreu em Curitiba no último fim de semana - o cervejeiro Stewart Bowman.

"Aí pensamos em fazer uma cerveja em parceria e começamos a trocar ideias sobre a receita, os maltes e lúpulos a serem usados."

Bowman não conseguiu vir ao Brasil, mas a Brewdog mandou Graeme Wallace. A parceria ganhou, então, a participação de outros convidados do evento, como Joseph Tucker, do site de avaliações cervejeiras Ratebeer.com; e o belga Jacques Bourdouxhe, cervejeiro caseiro há mais de 30 anos.

A eles se juntaram representantes de microcervejarias brasileiras, como Samuel Cavalcanti, da paranaense Bodebrown; José Felipe Carneiro, da mineira Wäls; e Rafael Rodrigues, da gaúcha Coruja.

"A partir daí, sentamos na fábrica e cada um deu seus ‘pitacos’ na receita até chegarmos à versão final", conta Winocur.

A cerveja, segundo ele, deve ficar mais próxima do estilo Imperial India Pale Ale. O nome Double American Pale Ale surgiu porque os produtores queriam fazer versão mais potente de sua American Pale Ale. "Por ora, a receita é segredo, mas vamos divulgá-la quando a cerveja for lançada."

Duas pistas

Ao menos um dos segredos, porém, já vazou: um dos lúpulos usados foi o Falconer’s Flight, seleção de variedades mais cítricas e florais, cujo nome é homenagem ao cervejeiro americano Glen Hay Falconer, morto em 2002.

Outra dica: a nova cerveja terá mais que o dobro do índice de amargor da American Pale Ale - que, por sua vez, tem três vezes e meia o amargor de uma lager industrial.

Não é a revelação do segredo, porém, que tornará a degustação desta cerveja fácil. Serão só 3 mil garrafas - e parte delas vai para os Estados Unidos e Escócia.

Boas receitas caseiras e de micros

O guia que os participantes do Wikibier recebiam logo na entrada já dava ideia da diversidade do evento que ocorreu no último sábado em Curitiba, no Paraná. Com o "mapa" de produtores e produções - uma boa ideia da organização -, era possível traçar um roteiro do que tomar e em qual ordem.

E as escolhas eram muitas: entre receitas caseiras, de microcervejarias e importadoras, havia, segundo organizadores, cerca de uma centena de rótulos, muitos dos quais ainda não aportaram no mercado paulistano.

O Wikibier ainda ofereceu um kit de harmonizações de cinco pratos com cervejas; no geral, elas funcionaram, mas em alguns casos as fermentadas ficaram mais fortes que a comida.

O evento ainda teve como ponto positivo a distribuição gratuita de água, providência saudável para degustadores - pena que ela acabou antes do fim. A música ao vivo também poderia estar mais baixa. Mas, no geral, foi uma boa experiência cervejeira.

Sacis e bruxas

Em todo dia 31 de outubro os fãs do Halloween, de inspiração estrangeira, e do Dia do Saci costumam se opor. Ao menos no mundo cervejeiro há opções para os dois públicos. A cervejaria Nacional, em Pinheiros, lança versão especial da stout Sa’Si, com maltes defumados e cerca de 5% de teor alcoólico. Ela alia notas de chocolate, suave mas de perceptível defumação e bom corpo. Custa R$ 8 (half pint) e R$ 12 (pint). Dos EUA, chega a Brooklyn Post Road Pumpkin Ale, que leva abóbora. Há ainda especiarias - são perceptíveis a canela e o cravo. Com 5%, tem notas de abóbora em bom balanço com os demais ingredientes. Da Beer Maniacs, deve custar a partir de R$ 15.

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