Óleo em Roncador estaria ligado ao de Frade

Vazamento identificado nesta semana teria a mesma origem dos de novembro e março, afirma engenheiro ligado à Petrobrás

SABRINA VALLE / RIO , O Estado de S.Paulo

11 Abril 2012 | 03h07

O vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás e do Clube de Engenharia do Rio, Fernando Siqueira, disse ontem acreditar que o recente afloramento de óleo registrado no Campo de Roncador, operado pela Petrobrás, tem ligação com os incidentes ocorridos em novembro e março no Campo de Frade, operado pela petroleira americana Chevron.

Apesar de afirmar que características geológicas da região indicam que há conexão entre os três eventos, ele avalia que a pressão no reservatório está sendo aliviada, o que diminuiria riscos de vazamentos mais graves.

Já para o geólogo Mauro César Geraldes, professor da Faculdade de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é pequena a possibilidade de haver relação entre os acidentes no Campo de Frade e a exsudação registrada anteontem no de Roncador. "São dois reservatórios distintos. O que existe é similaridade geológica. Os tipos de rochas são parecidos, mas são tidos como dois reservatórios separados."

O afloramento de gotículas de óleo no solo marinho do Campo de Roncador foi detectado pela Petrobrás durante inspeção submarina no domingo e divulgado anteontem. O ponto de exsudação fica a cerca de 500 metros do limite com o Campo de Frade. Não há manchas de óleo na superfície. Em novembro, vazaram 2,4 mil barris.

"A Chevron danificou o reservatório no Frade e o óleo procura os veios para migrar. Mas a pressão no reservatório está se reduzindo à medida que o gás vaza", disse Siqueira.

No mês passado, a Chevron afirmara que análises não indicavam relação entre os vazamentos de novembro e março.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou anteontem que foram coletadas amostras do óleo de Roncador com o objetivo de identificar a origem do vazamento. Os resultados ficariam prontos em até 48 horas.

A Petrobrás afirmou que só disporá de informações adicionais depois de concluídas as análises em andamento, o que deve ocorrer hoje. O delegado da Polícia Federal Fábio Scliar, responsável pelo inquérito que resultou na denúncia criminal do Ministério Público Federal contra a Chevron, disse que aguarda "novos subsídios da ANP e do Ibama" sobre o incidente para eventualmente abrir nova investigação. / COLABOROU FELIPE WERNECK

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