Óleo muda comportamento de fauna

Golfinhos e tubarões aparecem em águas rasas da Flórida, fugindo da poluição no Golfo do México; presidente da BP depõe no Congresso

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Golfinhos e tubarões começaram a aparecer perto das praias da Flórida, em águas rasas onde normalmente não se arriscam. Milhares de arraias, caranguejos e peixes pequenos estão se aglomerando em um pier do Alabama, enquanto pássaros cobertos de petróleo estão entrando em pântanos e desaparecendo.

Oceanógrafos e biólogos detectaram vários fenômenos decorrentes do vazamento de óleo do poço da empresa BP. Peixes e pássaros fogem da mancha de petróleo que se espalha pelo Golfo do México e se concentra em águas limpas perto da costa. Ontem, foi encontrada morta uma baleia da espécie cachalote, mas ainda não foi confirmado se ela morreu por causa do petróleo.

Enquanto isso, em Washington, o presidente da BP, Tony Hayward, foi massacrado durante mais de quatro horas em audiência no Congresso. Hayward foi acusado de adotar "atalhos" para cortar custos, que levaram ao acidente na plataforma Deepwater Horizon, que explodiu no dia 20 de abril, dando origem ao vazamento. Apenas um congressista não o atacou ? o republicano Joe Barton, do Texas, pediu "desculpas" à BP, dizendo que o governo americano havia "achacado" a empresa para conseguir o fundo de US$ 20 bilhões de indenização às pessoas afetadas pelo vazamento. Horas depois, ele se retratou, diante das críticas de republicanos e democratas.

Cerca de 5,5 milhões a 9,5 milhões de litros de petróleo por dia vazam do poço, a 80 quilômetros da costa da Louisiana, nas águas do golfo. Pressionada pelo governo, a BP concordou em criar um fundo de US$ 20 bilhões para indenizar as pessoas e empresas afetadas pelo vazamento.

No Congresso, Hayward pediu desculpas pelos danos causados, mas não respondeu à maioria das perguntas dos legisladores, limitando-se a evasivos "eu não estava envolvido nessa decisão". Os deputados se irritaram.

O presidente da BP disse estar "devastado pelo acidente", mas ele disse que não sabia das irregularidades na plataforma até ela explodir. "Com todo o respeito, nós perfuramos centenas de poços por ano ao redor do mundo", disse Hayward ao deputado Michael Burgess. "Eu sei, e é isso que está me assustando", respondeu o legislador.

"A BP errou. Vocês tomaram atalhos para economizar tempo e dinheiro", acusou o deputado Bart Stupak, referindo-se à informação de que a BP escolheu um design de poço que oferecia mais riscos porque era US$ 7 milhões mais barato.

A várias perguntas, Hayward respondia que não tinha feito parte do processo decisório ou que não poderia saber de detalhes. "Não sou engenheiro de perfuração", disse em um momento. "Não sou oceanógrafo", em outro. A série de negativas irritaram profundamente os legisladores. "Você está insultando nossa inteligência", disse o legislador Eliot Engel.

No início de seu depoimento, Hayward foi interrompido por uma manifestante com as mãos manchadas de preto, uma pescadora de camarões da região do golfo. "Você tem de ir para a cadeia", ela gritou. A manifestante foi imediatamente retirada do recinto pela polícia.

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