OMC evita fracasso, mas negociações continuam em risco

As negociações da Rodada Doha foramsalvas do fracasso na terça-feira, mas ainda correm sériorisco, especialmente por causa da disputa de China e Índiacontra países exportadores de alimentos, como EUA, a respeitode salvaguardas a seus pequenos agricultores. Os ministros participantes do evento em Genebra dizem quevão buscar soluções para este e outros impasses no nono dia dareunião ministerial -- a mais longa da história da OMC. Maseles admitem que o fracasso continua sendo uma possibilidadeconcreta. "Se as pessoas não querem este acordo, não há um acordomelhor vindo, e é preciso considerar, se este fracassar, o queeles têm a perder", disse o comissário (ministro) europeu deComércio, Peter Mandelson, antes de chegar para a reunião deterça-feira. Uma fonte oficial afirmou que durante a madrugada asnegociações estiveram "a um minuto" de serem suspensas, mas queem seguida foi lançado um novo esforço em busca de acordo. A chamada Rodada Doha do comércio global foi lançada em2001, com o objetivo de ajudar os países pobres por meio dasexportações. Há a percepção de que o encontro ministerial deGenebra é a última chance de concluir o tratado antes que oprocesso seja atropelado pelo calendário eleitoral dos EUA epor outros fatores políticos. Neste momento, o principal entrave é o chamado "mecanismoespecial de salvaguardas", destinado a proteger pequenosprodutores rurais de países pobres contra enxurradas deimportações e quebras nos preços. Alguns países em desenvolvimento, como Paraguai e Uruguai,são contra esse mecanismo, alegando que os priva de importantesmercados em outros países em desenvolvimento. A China, que participa de sua primeira rodada denegociações na OMC, acusou os EUA de fazerem exigênciasexcessivas aos países pobres. "O ponto crucial das atuais sérias dificuldades quesurgiram nas negociações da Rodada Doha é que, tendo protegidoseus próprios interesses, os Estados Unidos estão pedindo [aospaíses em desenvolvimento] um preço alto como o céu", disse oministro chinês de Comércio, Chen Deming, na noite desegunda-feira à agência estatal de notícias do seu país, aXinhua. Acrescentando mais um atrito à pauta, nove países da UE (umterço do total, entre eles a influente França) exigiram nasegunda-feira que o bloco negocie termos melhores para si. Cerca de 30 representantes de alguns dos principais paísesda OMC discutem desde a semana passada em Genebra formas dereduzir subsídios agrícolas e derrubar tarifas de produtosagrícolas, industriais e de serviços, que são os principaisobjetivos da Rodada Doha. (Reportagem adicional de Doug Palmer e James Mackenzie emParis)

ROBIN POMEROY E LAURA MACINNIS, REUTERS

29 de julho de 2008 | 08h50

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