OMS discute acordo sobre vacina contra gripe aviária

Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) disseram nesta terça-feira, 20, estar "correndo" para chegar a um acordo capaz de garantir que os países em desenvolvimento mais vulneráveis a uma pandemia de gripe aviária recebam as vacinas de que precisam.A Indonésia deu destaque a esse problema afirmando que apenas compartilhará amostras do vírus H5N1, da gripe aviária, se receber garantias de que esse material não será usado para a fabricação de uma vacina rentável apenas para uma empresa ou um outro país.A declaração deixou preocupados cientistas e autoridades da área de saúde. "Precisamos obter mensalmente informações atualizadas sobre o vírus", afirmou David Heymann, principal autoridade da OMS para a gripe aviária em Genebra, em uma entrevista concedida por telefone.Autoridades da Indonésia temem que o país não terá prioridade na obtenção de uma eventual vacina caso o H5N1 venha a provocar uma pandemia. O país é de longe o mais atingido pela gripe aviária, com o registro de 66 mortes provocadas pela doença,A OMS, de outro lado, tem tomado cuidado para não criticar a Indonésia. "Somos realmente muito gratos pelo que eles têm feito, mesmo que isso nos tenha obrigado a correr", disse Heymann. "A preocupação da Indonésia é também nossa preocupação."No total, 16 fabricantes de dez países estão desenvolvendo protótipos de uma vacina para uma pandemia provocada pelo H5N1.A OMS convocou um encontro a ser realizado em Jacarta, na próxima semana, a fim de discutir as melhores formas de garantir que as empresas possam fabricar mais vacinas contra a gripe aviária e que essas vacinas estejam disponíveis para todos os que precisarem dela.Além disso, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, se reunirá com diretores executivos de empresas que fabricam vacinas.O H5N1 matou 169 das 281 pessoas que, segundo se sabe, contaminou, e espalhou-se por vários países, atingindo a Ásia, a África e a Europa.Especialistas acreditam que o vírus pode conseguir, por meio de mutações, adquirir a capacidade de passar de uma pessoa para outra, provocando assim uma pandemia responsável por fazer milhões de vítimas fatais dentro de meses.Nesse caso, uma vacina seria a única solução eficaz. Mas as vacinas atuais garantem proteção contra apenas um tipo ou outro do vírus - não há uma vacina que funcione para todos os tipos de H5N1.Somando-se a isso, poucas empresas fabricam vacinas no mundo, e a capacidade total de produção é de algo entre 300 milhões e 400 milhões de doses por ano - uma marca muito inferior à que seria preciso atingir no caso de uma pandemia.E são necessários meses para que seja desenvolvida uma nova vacina contra gripe porque a tecnologia atual é pouco ágil. "No mundo, não há uma capacidade suficiente de produção de vacina para falarmos em acesso igualitário. É preciso aumentar a capacidade de produção", disse Heymann.

Agencia Estado,

20 de março de 2007 | 18h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.