OMS diz que triagem de passageiros na chegada tem efeito limitado para evitar Ebola

A triagem de passageiros em busca de casos suspeitos de Ebola assim que eles chegam a outro país tem "efeito limitado" para combater a propagação do vírus, mas se acrescenta algo à triagem que já está sendo feita nos país afetados é uma decisão individual dos governos, disse a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta quinta-feira.

REUTERS

23 de outubro de 2014 | 16h16

A declaração do Comitê de Emergência da OMS sobre o Ebola acontece um dia depois de os Estados Unidos terem afirmado que viajantes oriundos dos três países da África Ocidental no centro da epidemia precisam descer em um dos cinco aeroportos com estrutura para realizar uma investigação mais profunda em busca do vírus.

"A triagem na chegada pode ter um efeito limitado na propagação internacional quando combinada com a triagem de saída, e as suas vantagens e desvantagens precisam ser analisadas com cuidado," disse o comitê em comunicado oficial depois da sua terceira reunião.

Os passageiros já estão sendo examinados ao deixar Libéria, Serra Leoa e Guiné, uma medida crítica para reduzir a propagação do vírus, segundo a organização.

"Até agora, 36 mil pessoas foram testadas e 100 foram impedidas de viajar", disse Isabelle Nuttall, diretora de alertas globais e de resposta do braço de segurança da OMS, em entrevista por email.

O comitê de especialistas, que aconselha a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que alguns países começaram a realizar as triagens de entrada e que eles devem compartilhar a sua experiência e as lições aprendidas.

Os países devem estar atentos que realizar a triagem de passageiros na sua chegada ajuda as pessoas a ficarem cientes do risco da doença, mas "a demanda por recursos pode ser significativa", mesmo se a triagem for direcionada, segundo o comitê.

O surto de Ebola matou ao menos 4.877 pessoas em pelo menos 9.936 casos da doença registrados, disse a OMS na quarta-feira. Mas os números, reconhecidamente, não retratam o cenário real e o total de mortes pode ser cerca de três vezes maior.

O comitê também disse que alguns países sem casos de Ebola cancelaram encontros internacionais e encontros de grandes multidões, o que o comitê não recomenda. O órgão reconhece, contudo, que tais decisões são complexas e precisam ser tomadas a cada caso individualmente, tendo em mente o risco.

Atletas e delegações de países com transmissão de Ebola não devem ser proibidos de participar de eventos internacionais, mas o país-sede deve decidir caso a caso, acrescentou.

Diversos países --incluindo o Haiti, a República Dominicana, Colômbia, Jamaica e Coreia do Norte-- criaram certas restrições para turistas desses países, ainda que o comitê tenha afirmado que não deve haver nenhuma proibição geral em viagens ou no comércio internacionais. O comitê reiterou o conselho nesta quinta.

"Uma proibição geral deve causar dificuldades econômicas e, por consequência, aumentar a migração sem controle de pessoas em países afetados, o que aumentaria o risco da propagação internacional do Ebola," afirmou.

"O comitê enfatiza a importância de normalizar as viagens aéreas e o trânsito de navios, incluindo a movimentação de cargas e mercadorias, de e parar as áreas afetadas, para reduzir o isolamento e as dificuldades econômicas nos países afetados."

(Reportagem de Tom Miles e Stephanie Nebehay)

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