OMS otimista com questão de saúde na pauta do G8

A reunião do G-8 é uma grande oportunidade para os líderes mundiais mostrarem que estão seriamente comprometidos na luta contra a difusão de doenças infecciosas, afirmou nesta terça-feira o diretor-geral interino da Organização Mundial de Saúde."Estou bastante otimista", disse Anders Nordstrom. "Os encontros do G8 acontecem há 30 anos, e o fato de agora nós podermos ter questões de saúde na pauta nos últimos seis, sete anos, é um bom sinal de que há interesse político".Doenças infecciosas, educação e segurança energética estão na pauta do encontro do G8 que começa no próxima sábado em São Petersburgo, na Rússia.A grande pergunta é se os grandes anúncios feitos pelos líderes do G8 se converterão em mais dinheiro para combater ameaças como o HIV/ Aids, malária e tuberculose.Nordstrom disse que a OMS só coletou cerca de um terço dos US$ 100 milhões que os países doadores prometeram à organização, em janeiro, como parte de um pacote de US$ 1,9 bilhões às Nações Unidas."Ainda é muito pouco, mas eu acredito que agora está havendo algum progresso", disse Nordstrom. "Eu acho que estamos mais perto dos US$ 30 milhões agora. Ainda há uma grande lacuna, mas estamos administrando e sobrevivendo com os recursos que temos".Nordstrom disse que focos da doença da vaca louca, Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e outras epidemias ajudaram os líderes a perceber que as doenças infecciosas não têm apenas um custo humano, mas prejudicam também a economia. "A ligação entre os focos de doença, segurança e desenvolvimento econômico é bastante forte na pauta agora", disse Nordstrom, que viajará a São Petersburgo para comparecer ao encontro do G8 na segunda-feira.Nordstrom disse esperar que os líderes tratem do risco de novos focos de doenças e o crescimento dos serviços de saúde para combater a difusão de doenças como o HIV/ Aids, malária e poliomielite.O médico pregou a melhoria dos planos de preparação para uma pandemia de gripe que, os especialistas dizem, já está atrasada. Hoje, 170 países possuem planos como estes comparados a apenas 30 há alguns anos, disse.No século passado houve três pandemias, a mais mortal sendo da gripe espanhola em 1918, que matou milhões ao redor do mundo.Especialistas alertaram que a gripe aviária, que se espalhou para dúzias de países desde 2003, poderia sofrer uma mutação e tornar-se facilmente transmissível entre humanos, levando a uma pandemia.Até agora, isso não aconteceu, mas Nordstrom alertou contra a complacência."A ameaça definitivamente ainda existe. Em 2004, tínhamos focos em humanos em dois países, em 2005, em cinco. Agora temos focos em dez países", ele disse."Nós conseguimos diminuir o risco de transmissão entre animais e humanos, e esta é uma das principais estratégias. Mas a ameaça ainda é bastante real".Nordstrom é diretor-geral interino da OMS desde a morte do diretor-geral Lee Jong-wook em maio. Um substituto permanente será eleito em novembro.

Agencia Estado,

11 de julho de 2006 | 14h59

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