Onda de autoimolações desafia domínio chinês no Tibet, diz rádio

Até cinco tibetanos se imolaram na semana passada em protesto ao domínio chinês sobre o Tibete, afirmou uma rádio norte-americana, no que uma ONG disse ser uma campanha organizada contra a repressão de Pequim à liberdade religiosa.

Reuters

14 de agosto de 2012 | 10h37

Duas autoimolações foram registradas na segunda-feira na montanhosa localidade de Aba, que fica na província de Sichuan, mas tem maioria étnica tibetana, segundo a Radio Free Asia. Após esses incidentes, confrontos entre policiais e membros da etnia tibetana deixaram pelo menos um manifestante morto, informou a emissora.

Muitos tibetanos reivindicam que Pequim autorize o regresso ao Tibete do seu líder político e espiritual, o Dalai Lama. A China diz que os tibetanos que se suicidam pelo fogo são "terroristas" e criminosos, e acusa o Dalai Lama de incitá-los.

O pesquisador de Ásia da ONG nova-iorquina Human Rights Watch, Phelim Kine, disse que a frequência das autoimolações de tibetanos é "um reflexo da frustração e do desespero cada vez maiores" dos tibetanos, ávidos por reformas e por medidas de proteção da sua cultura, língua e religião.

"Não vemos nenhuma insinuação dessas mudanças no curto a médio prazo, ao invés disso, vemos um endurecimento da posição do governo chinês", disse Kine. "Essa é uma tendência lamentável que irá continuar até chegarmos à transição da liderança."

Os líderes chineses geralmente reprimem possíveis fontes de turbulências antes do congresso partidário que anuncia os novos líderes do país, um evento que costuma acontecer a cada década, e que está previsto para outubro deste ano.

Contando com os incidentes mais recentes, pelo menos 47 tibetanos se autoimolaram desde março de 2011, segundo grupos de ativistas.

Na última semana, a Campanha Internacional pelo Tibete, com sede em Washington, noticiou duas autoimolações, e a campanha Tibete Livre, do Reino Unido, relatou três incidentes no mesmo período.

A China domina o Tibete desde 1950, quando tropas comunistas invadiram a região e anunciaram sua "libertação pacífica". Pequim afirma que o domínio chinês trouxe desenvolvimento e prosperidade, e nega violar direitos dos tibetanos.

(Reportagem de Sui-Lee Wee)

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