Onda de calor e incêndios deixam sudeste da Europa em alerta

Na Romênia, o número de pessoas mortas pela onda de calor subiu para 30, e 19 mil deram entrada em hospitais

RADU MARINAS, REUTERS

24 Julho 2007 | 12h33

Doze romenos morreram na terça-feira, 23,  dia em que bombeiros, soldados e voluntários combatiam, em todo o sudeste da Europa, incêndios alimentados por uma onda de calor responsável por fazer os termômetros quebrarem recordes. A Sérvia enfrentava 50 focos de incêndio florestal naquele que, segundo meteorologistas, deve ser o dia mais quente do ano, com temperaturas de até 43º C. Na Romênia, o número de pessoas mortas pela onda de calor subiu para 30, e 19 mil deram entrada em hospitais do país em meio à segunda temporada de altas temperaturas do ano. Bucareste enfrentava cortes temporários no fornecimento de energia devido à sobrecarga gerada pela utilização dos aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, mas autoridades da área de saúde conseguiram anunciar o cancelamento das medidas de emergência "Código Vermelho" adotadas na segunda-feira. A previsão é de que as temperaturas amenizem-se. "Temos boas notícias. A partir de terça-feira, mudaremos para o 'Código Verde'', afirmou Eugen Nicolaescu, ministro romeno da Saúde. Mais de 35 pessoas morreram na Romênia, na Turquia e na Grécia em junho, quando os termômetros chegaram a marcar 46º C. Nesta semana, áreas florestais da Bósnia, da Sérvia, de Montenegro, da Macedônia, da Bulgária e da Grécia foram atingidas por incêndios atribuídos às temperaturas recordes registradas após um inverno seco. "Conversei com os gregos e os búlgaros a fim de que obtivéssemos ajuda. Mas eles enfrentam os mesmos problemas", afirmou Predrag Maric, chefe do departamento de resgates da Sérvia. "Esperávamos que as bombas d''água da Rússia chegassem nesta manhã. Mas eles tiveram de ajudar a Bulgária, cuja situação é grave. E hoje promete ser o dia mais quente do ano." Na Macedônia, as temperaturas devem atingir o maior patamar já registrado, de 45º C durante o dia. Um homem morreu após inalar fumaça durante a noite na cidade de Bitola, e 200 foram retirados de um bairro. As cidades de Citluk, Neum e Visegrad, na Bósnia, declararam estado de emergência. Devido aos focos de incêndio, várias cidades do país enfrentam falta d''água e de eletricidade. "O vento é nosso maior inimigo. Ele acelera o fogo enormemente", disse Stanko Sliskovic, secretário da Defesa Civil da federação croato-muçulmana da Bósnia. Há 18 focos de incêndio ativos na Província separatista de Kosovo (Sérvia), a maior parte deles perto de áreas habitadas, entre as quais a capital da região, Pristina. A polícia e soldados da força de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) presentes na área enfrentam o fogo. "Demos ordens para que todos os bombeiros apresentem-se", afirmou Mahir Hasani, do Departamento de Emergências de Kosovo. "Estão cancelados os dias de folga e as férias de todo mundo. Estamos em alerta máximo." (Reportagem adicional de Kole Casule em Skopje, Fatos Bytyci em Pristina e Daria Sito-Sucic em Sarajevo e Luiza Ilie em Bucareste)

Mais conteúdo sobre:
CLIMA CALOR EUROPA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.