Onda de violência deixa 12 mortos na África do Sul

Vítimas são imigrantes vindos de países vizinhos, segundo a polícia de Joanesburgo.

Da BBC Brasil, BBC

18 de maio de 2008 | 21h20

Pelo menos 12 pessoas foram mortas na cidade sul-africana de Joanesburgo desde sexta-feira em uma onda de violência contra imigrantes, segundo informações da polícia.Policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha numa tentativa de impedir que gangues de jovens armados atacassem estrangeiros e destruíssem suas propriedades.Algumas das vítimas foram queimadas e outras espancadas até a morte. Durante a noite, mais de 50 pessoas foram levadas para hospitais com ferimentos a bala e a faca.Uma igreja onde cerca de mil imigrantes do Zimbábue procuravam refúgio foi atacada."Nós consideramos que a situação está tão grave que a polícia não tem mais controle sobre o que está acontecendo", disse o bispo da igreja atacada, Paul Veryn.Muitos estrangeiros se dirigiram a centrais de polícia, levando todos os pertences que podiam carregar, em busca de proteção.Uma mulher do Zimbábue disse à BBC que preferia voltar para seu país a perder seus dois filhos para as gangues.Problemas sociaisA onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros".Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Malauí fugiram para bairros próximos.Casas foram queimadas e lojas, saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade.Desde o fim do Apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção.Mas eles acabaram sendo considerados responsáveis por muitos dos problemas sociais da África do Sul, como a alta taxa de desemprego, a falta de moradia e um dos níveis de criminalidade mais altos do mundo.A Cruz Vermelha está agora oferecendo comida e cobertores a centenas de imigrantes que foram afugentados de suas casas.O presidente Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques."Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse ele.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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