Onda de violência já se espalha pelo interior

A onda de violência atribuída ao enfrentamento entre forças policiais e o Primeiro Comando da Capital (PCC) já se espalha pelo interior. No final da noite de quarta-feira (14), cinco pessoas foram executadas em Araraquara, a 288 km de São Paulo, cuja penitenciária abriga líderes da organização criminosa. Os crimes ocorreram em sequência, por volta das 22 horas, e podem ter relação com o assassinato do sargento Adriano Simões, em setembro, supostamente a mando do PCC. Conforme informações da Polícia Civil, dois homens que estavam numa moto - um açougueiro de 23 anos que pilotava o veículo e o garupa de 33 anos - foram atingidos por tiros disparados pelos ocupantes de um carro, no bairro Santana.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

15 de novembro de 2012 | 18h21

De acordo com uma testemunha, o veículo passou devagar, enquanto eram feitos mais de vinte disparos, e logo depois acelerou. Os projéteis atingiram também um homem que estava na calçada. Duas vítimas morreram na hora e a terceira foi socorrida, mas também não resistiu. Um dos alvos, um homem de 33 anos com passagens por tráfico de drogas, recebeu 14 tiros. Cerca de 20 minutos depois, um pedreiro de 34 anos e uma mulher de 46 foram mortos com vários tiros num quiosque de pastel no Jardim Paraíso.

Segundo testemunhas, os atiradores que chegaram a pé e encapuzados, fugiram num carro com as mesmas características do veículo usado no ataque anterior. Um dos ocupantes se aproximou para confirmar se as vítimas estavam mortas e deu um último tiro na cabeça da mulher que ainda se mexia. As duas vítimas não tinham passagem pela polícia. Na tarde desta quinta-feira, uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) ouvia testemunhas e fazia busca na tentativa de prender os atiradores. Um delegado informou que, nos dois casos, as vítimas foram atingidas por tiros de pistola 9 mm.

Outros três ataques, sem vítimas, ocorreram na região de Campinas. Em Várzea Paulista, dois ônibus foram incendiados, na madrugada desta quinta-feira(15). Os veículos estavam estacionados, vazios, na frente das casas dos motoristas, nos Jardins Paulista e América, respectivamente. Em Itatiba, a moto de um policial militar foi queimada na frente do batalhão da PM. Em Jundiaí, uma viatura da Polícia Militar foi recebida a tiros no Jardim São Camilo. Os policiais revidaram, mas não conseguiram prender os autores dos disparos. Ninguém ficou ferido. A viatura seguira para dar apoio a uma equipe que abordava suspeitos de furto de um veículo.

A Polícia Civil prendeu na cidade de Salmorão dois integrantes do PCC que estariam agindo na região de Presidente Prudente. De acordo com nota divulgada pela Secretaria da Segurança Pública, a dupla fazia parte do núcleo da quadrilha instalada na zona leste da capital.

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) investigavam a dupla e constataram o deslocamento para o interior. Com eles foram apreendidas uma metralhadora e um revólver calibre 357, cuja munição tem potência para abater um urso. "As informações apontam que pretendiam realizar ações criminosas, mas ainda não ficaram definidas quais seriam", disse o delegado Márcio Mathias, titular da 6ª Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas, que participou da ação.

Boatos de ataques que já haviam causado pânico, no início da semana, em São Roque, Araçariguama e Mairinque, voltaram a movimentar a polícia, na quarta-feira, em Indaiatuba, Itu e Salto. A origem dos boatos teria sido o depoimento dado a uma emissora de TV por Daniel Nascimento, que estava foragido da cadeia já mais de um ano e foi preso no início do mês. Condenado pelos crimes de roubo, sequestro e estupro, ele afirmou que, a qualquer momento, o PCC pode realizar ataques na região.

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