Onde fica LUIZ AMÉRICO CAMARGO

Maramiah

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2012 | 03h12

R. Canário, 390, Moema,

5051-0558. 11h30/23h (dom., 11h30/22h). Cc.: todos.

Embora o cardápio do árabe Maramiah seja relativamente extenso, como a maioria de seus pares na cidade, é difícil não associar a casa a um prato em particular. Trata-se do maqluba, uma receita mais identificada com a cultura palestina, rústica e substanciosa, de apresentação apetitosa, mas quase bruta. Um daqueles pratos que os portugueses chamam de conviviais, para ser partilhado, à base de arroz, carne, berinjela, batatas, couve-flor e grão-de-bico. Mas já retorno a ele.

Aberto no início do ano em Moema, o Maramiah é comandado pelo cozinheiro Genivaldo dos Santos, baiano de ascendência síria, que se reveza entre o fogão e o salão - inclusive para socorrer os educados, mas aturdidos, garçons no momento de orientar as escolhas. No plano da rua, a sala lembra uma lanchonete bem arrumada, decorada com motivos do Oriente Médio. Há também um pequeno empório perto da entrada, com narguilés, produtos típicos e uma vitrine de sobremesas, todas compradas, nenhuma feita por lá. No mezanino, contudo, a ambientação é de tenda árabe, com almofadas, tapetes, mesa rebaixada (sim, precisa sentar de perna cruzada) e truques do gênero.

Mas voltemos então ao carro-chefe do restaurante. Mesmo sendo despretensioso, ele acaba de fato ofuscando as demais sugestões (no almoço, há também um bufê, barato, R$ 18,90, e não muito atraente, onde são servidos ainda itens não necessariamente árabes). E, para ser sincero, elas são apenas razoáveis. Como o quibe recheado com nozes (R$ 14) e o fatair, espécie de esfiha feita na chapa (R$ 4,50), que podem servir de entretenimento enquanto o maqluba não chega - leva 40 minutos para ficar pronto.

A receita foi trazida pela ex-proprietária Lubna Abdallah, filha de palestinos, e é executada nos moldes clássicos. Na origem, a intenção do maqluba era o aproveitamento das sobras das refeições do cotidiano doméstico, um mexidão homogeneizado pela presença conciliatória do arroz, princípio que aparece também nas origens da paella. As carnes (de cordeiro, frango ou bovina; neste último caso, se puder escolher, prefira o músculo ao filé mignon) e o grão-de-bico são cozidos previamente. A berinjela, a couve-flor, a batata em rodelas, fritas. Junta-se tudo ao arroz, temperado com açafrão (na verdade, cúrcuma), e o cozimento final, em caldo de carne, é feito numa única panela, que vai à mesa e é virada sobre um prato de serviço na frente do cliente - uma das traduções de maqluba é "de cabeça para baixo". Custa R$ 59 e, creia, dá para quatro pessoas. Nem estou dizendo que o prato é um maná, mas é honesto. E vira um programa divertido.

Aberto inicialmente como um restaurante islâmico, o Maramiah informa que só trabalha com carne halal (abatida conforme os preceitos da religião muçulmana), mas ficou mais flexível no que diz respeito ao álcool. Agora, é possível tomar ao menos uma cervejinha.

Por que este restaurante?

É uma casa nova, que ainda por cima acaba de mudar de dono. Mas é mais por causa do tal maqluba.

Vale?

Os pratos são compartilháveis e pode ser um programa divertido. Dispense o bufê, mas é melhor pedir algo para enganar a fome e esperar os 40 minutos para que o maqluba fique pronto.

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