Onde fica Pato e porco, sem esquecer do mar

Trinta anos atrás, a Vila Olímpia ainda era apenas um distrito pacato do Itaim Bibi. Um vilarejo de casas residenciais, com algumas empresas, eventualmente fábricas. Nada a ver com o bairro de avenidas de trânsito desatinado, com o conglomerado de prédios gigantes que acabaram se tornando a face atual da região. A abertura do Hi Pin Shan, em 1984, remonta àquele momento. Transformações do entorno à parte, o restaurante se manteve na mesma rua, que pouco mudou. E não se afastou de suas proposições iniciais, embora tenha ampliado e melhorado as instalações ao longo do tempo.

EU SÓ QUERIA JANTAR, LUIZ AMÉRICO CAMARGO, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2014 | 02h07

Fundada pelo chinês Kung Hing Sin, a casa faz parte de uma leva de estabelecimentos dos anos 1980 e 90 - como o China Lake, o Golden Plaza e o Ton Hoi - que preferiu a proximidade da Marginal do Pinheiros ao eixo Liberdade-Aclimação, mais familiar aos imigrantes orientais. Seu cardápio se inspira particularmente nas tradições do norte e do leste da China, embora sem dogmatismos. É um bom lugar para provar especialidades à base de pato e de porco, em especial. Mas jamais desprezando peixes e frutos do mar, o que inclui itens menos cotidianos como barbatana de tubarão e bucho de peixe.

Kung divide o comando do Hi Pin Shan com sua mulher, Kelly Wong, nascida em Hong Kong. Seus pratos são equilibrados e, de certa forma, mais para aclimatados ao gosto da cidade. O que pedir, em meio a tantas opções? Eu também fico na dúvida, mas vamos lá. Creio que as almôndegas suínas, chamadas de cabeça de leão (R$ 34,50), são sempre um bom começo. Ou mesmo os camarões picantes, num molho que arde, mas não assusta (R$ 85).

Minhas preferidas, no entanto, são as receitas com pato. O assado (R$ 81,50, meia ave, para dois), por exemplo, chega à mesa com molho de canela, muito sabiamente utilizada - é o tipo de ingrediente que, ao menor descuido, pode comprometer qualquer preparação. A carne é firme e macia, o exterior é crocante. Já o tradicional à Pequim (R$ 197, para compartilhar, e só com reserva prévia) é servido da maneira clássica, com finas panquecas cozidas no vapor, molho de missô, cebolinha e estaladiças peles de pato, fritas cuidadosamente.

O Hi Pin Shan, por fim, pode não ter a excelência do Ton Hoi (que, por sua vez, lida com outras cozinhas regionais). Nem a autenticidade da imigração recente do Chi Fu. Mas segue sua trajetória como um chinês de segurança, sem sustos, com atendimento amistoso - o que inclui manobrista gratuito - e ambiente agradável. Tudo isso depois de 30 anos, e ainda sobrevivendo às mutações da Vila Olímpia. É de se respeitar.

Por que este restaurante?

É uma casa que chega aos 30 fazendo cozinha chinesa confiável (em 2002, os sócios abriram uma filial, mais simples, na Pompeia).

Vale?

As porções são compartilháveis, por dois ou até mais. No almoço, há pratos executivos, incluindo rolinho primavera e arroz, com versões mais simples de alguns itens do cardápio, com preços entre R$ 26 e R$ 48. Come-se gastando entre R$ 50 e R$ 100. Vale.

Hi Pin Shan

R. Dr. Ivo Define Frasca, 99,

V. Olímpia, 3849-1191. 11h30/14h30 e 18h30/22h30 (sáb. e dom., 11h30/15h30 e 18h30/22h30; fecha 2ª e às últimas 3ª e 4ª de cada mês). Cc.: todos. Estac.: grátis

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