ONG orientará moradores sobre abusos policiais no Rio

À espera de uma ocupação policial, o Complexo da Maré, na zona norte do Rio, conta a partir de terça-feira (6) com um projeto de orientação aos moradores sobre abusos policiais e direitos dos moradores. Instrutores da ONG Redes da Maré, em parceria com o Observatório de Favelas e a Anistia Internacional, percorrerão as 16 comunidades do complexo para explicar aos moradores o que é permitido ao policial no momento das abordagens.

ANTONIO PITA, Agência Estado

05 de novembro de 2012 | 19h33

Os moradores receberão adesivos para as casas com a frase "Conhecemos nossos direitos! Não entre nesta casa sem respeitar a legalidade da ação." Além dos cartazes, a campanha irá distribuir cerca de 50 mil panfletos com informações sobre como proceder no momento da abordagem, quais os limites da revista policial, e ainda quais os órgãos de controle e denúncia.

As principais queixas de abusos, recorrentes em comunidades já pacificadas, são relacionadas à revista truculenta, humilhações e invasão das casas. Segundo Eliana Silva, coordenadora da Redes da Maré, os moradores estão apreensivos com a iminente ocupação da PM. O complexo é vizinho às favelas de Manguinhos e Jacarezinho, ocupadas em outubro. "A abordagem é sempre muito violenta e preconceituosa, já com pressuposto que quem está na comunidade é um potencial criminoso. Isso atinge principalmente o jovem, que acaba reagindo de forma agressiva também", afirma Eliana.

Presidente da Anistia Internacional no País, Átila Roque lembra que a campanha atinge apenas um lado da moeda, e que a capacitação sobre os direitos dos moradores é uma demanda também para os policiais. "Você não muda da noite para o dia uma cultura institucional que carrega estereótipos sobre a favela. O policial precisa entender que o território é ocupado por pessoas plenas de direito, e não passivas, sujeitos de cidadania reduzida."

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