ONG USA CADEIRA ANFÍBIA NO TRAJETO

Trilha subaquática pode ser percorrida por pessoas com deficiência; condução é definida por monitores de acordo com a dificuldade

UBATUBA, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2013 | 02h05

Em fase experimental, o trabalho da ONG Projeto Caravela permite que pessoas com deficiência participem das trilhas subaquáticas na Ilha Anchieta. Com uma cadeira anfíbia adquirida por conta própria, a coordenadora Melisa Sakamoto incluiu passeios adaptados no roteiro após um acidente que deixou tetraplégica sua filha Karine, então com 15 anos.

Mãe de três meninas e formada em Biologia, Melisa iniciou em 2003 um trabalho de prevenção de acidentes com animais marinhos e acessibilidade com pessoas que não tinham contato com o mar - idosos, crianças e pessoas com deficiência que viviam longe do litoral. A ênfase em ações relacionadas a pessoas com deficiência veio após o drama familiar, em 2005.

Ao atravessar a faixa de pedestres em uma rua de Itajubá (MG), onde mora a família, a filha do meio, Karine, foi atropelada por uma moto. Com perda total dos movimentos, a moça, hoje com 23 anos, também ficou privada da fala e precisa de cuidados especiais. Ex-voluntária da ONG, Karine participava das ações no litoral. Após o acidente, o Projeto Caravela foi interrompido até 2011, quando Melisa decidiu ajudar pessoas em situação semelhante à de sua filha.

"As cadeiras de rodas normais estragam muito facilmente e essas pessoas acabam excluídas das atividades de lazer na praia", diz. "Não advogo em causa própria, pois minha filha tem de ficar em Itajubá."

As cadeiras anfíbias, explica, custam o mesmo preço das comuns (cerca de R$ 1,5 mil). Durante todo o mês de janeiro, ela oferece a cadeira especial para visitantes interessados em conhecer a Ilha Anchieta. Com a ajuda da Ecosteiros e do Instituto de Biociências da USP, as trilhas subaquáticas têm sido modificadas.

"Fazemos um percurso reduzido e seguramos esses visitantes com as duas mãos para controlar melhor", explica o mergulhador Leandro Coelho. Ele conta que a modalidade de condução é definida de acordo com o tipo de deficiência. "Em caso de paralisia parcial, da cintura para baixo, cuidamos apenas para que as pernas do visitante não esbarrem nas algas."

Ele afirma que os passeios com deficientes auditivos costumam trazer problemas de comunicação - com tantos recursos não verbais, os visitantes transbordam empolgação embaixo d'água e seus gestos acabam não sendo acompanhados pelos mergulhadores. "Ali, somos nós que enfrentamos dificuldades", brinca Leandro.

Já a experiência de deficientes visuais costuma ser a mais relaxante, por conta da sensibilidade extra dos outros sentidos. Para o próximo verão, Melisa procura empresas que se interessem em doar cadeiras anfíbias para o projeto. / B.D.

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