ONGs condenam resultado de Conferência sobre Desertificação

Reunião da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação não chegou a elaborar um orçamento

Efe,

16 de setembro de 2007 | 18h48

Organizações ambientalistas criticaram os resultados da oitava Conferência das Partes (COP 8) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (CNULD), considerada um "fracasso" por não ter aprovado o orçamento para os próximos dois anos nem objetivos concretos.   Os quase 200 países participantes da COP 8, concluída neste domingo, apesar de seu encerramento previsto inicialmente para a última sexta-feira, aprovaram uma estratégia para os próximos dez anos mas não chegaram a um acordo sobre o orçamento, devido à postura contrária do Japão.   A diretora do programa de Florestas da ONG WWF/Adena, Lourdes Hernández, considerou que a Conferência "fracassou categoricamente", já que foi aprovada uma estratégia sem orçamento previsto e não foram elaborados planos de ação. Segundo ela, o plano estratégico apresenta soluções mas, por não ter estabelecido um orçamento, corre o risco de se tornar apenas teórico.   Hernández chamou a postura japonesa de "egoísta" e criticou a indiferença do país, que não sofre os efeitos da desertificação, mas é "responsável em grande parte" pelo fenômeno por causa de seu modelo econômico e de desenvolvimento.   A Adena pediu ainda uma melhoria dos mecanismos de participação da sociedade civil nas negociações para garantir que sejam adotadas decisões efetivas e não de acordo com interesses políticos e econômicos, como ocorre agora. O coordenador do grupo Ecologistas em Ação, Theo Oberhuber, concordou: para ele, a COP 8 "não apenas não representou um ponto de reflexão, mas também fracassou", disse.   A Conferência decidiu realizar uma plenária extraordinária em Nova York, nas próximas semanas, para tratar do aumento do orçamento inicial, que poderá ser de 5%, segundo o porta-voz do Ecologistas em Ação.   Segundo Oberhuber, este aumento é "ridículo" e manteria a Convenção como "irmã pobre" em relação às outras da ONU sobre Mudança Climática e Biodiversidade. Por isso, ele pediu um aumento de entre 10% e 15%.   Mesmo assim, os ecologistas avaliaram positivamente a Declaração de Madri, lida na noite de sexta-feira pela ministra do Meio Ambiente da Espanha, Cristina Narbona, na qual foi feita uma chamada para que a Convenção de Desertificação estabeleça objetivos concretos.   O diretor-executivo do Greenpeace na Espanha, Juan López de Uralde, também lamentou que a COP 8 não tenha conseguido romper a tendência de "irmã pobre" e considerou que a oportunidade não foi aproveitada adequadamente, embora tenha resistido a usar o termo "fracasso".   Uralde criticou a falta de vontade política dos países desenvolvidos, "principalmente" porque os principais atingidos pela desertificação são os países mais pobres do planeta.

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