ONGs criticam coronel que chamou polícia de 'inseticida social'

Ativistas de direitos humanoscriticaram nesta quarta-feira declarações feitas por um coronelda Polícia Militar do Rio de Janeiro após uma operação nafavela Vila Cruzeiro, que deixou nove supostos traficantesmortos. O militar chamou sua força de "melhor inseticidasocial" existente. O comandante do Policiamento da Capital, o coronel MarcusJardim, cujas declarações foram dadas após a operação naterça-feira, aludiu à epidemia de dengue registrada no Rio, quedeixou ao menos 80 mortos no Estado este ano. A doença étransmitida pelo mosquito "Aedes aegypti". "A PM é o melhor remédio contra a dengue. Não fica ummosquito em pé. É o SBPM. O melhor inseticida social", afirmouo coronel, referindo-se a uma marca de inseticida. A PM, por meio de sua assessoria de imprensa, informounesta quarta que o coronel não comentaria o caso, mas momentosantes Jardim disse em entrevista à rádio CBN que suasafirmações eram um "jargão" e que a operação de terça-feira foiuma resposta aos traficantes de droga. A diretora da ONG dedicada à promoção dos direitos humanosJustiça Global, Sandra Carvalho, disse que as declarações docoronel Jardim mostram que ele vê a segurança pública como "umaoperação de limpeza social em que cada pobre da população temque ser extirpado". "Essa é a lógica da segurança pública noRio", acrescentou. Para Tim Cahill, da Anistia Internacional em Londres, asfrases do coronel reforçam a percepção de que a polícia nãocompreende seu papel na sociedade. "A política da polícia de supostamente combater o crime pormeio de operações violentas e de assassinatos apenas fazaumentar a insegurança", disse. Segundo dados divulgados pela PM do Rio, 1.330 suspeitosforam mortos pela polícia no Estado no ano passado, ou 25 porcento a mais do que no ano anterior. Na terça-feira, cem membros do Batalhão de OperaçõesPoliciais Especiais (Bope) e outros membros da PM realizaramuma ação na Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade. O tiroteiodeixou ao menos nove suspeitos mortos e seis feridos, além de14 detidos. (Com reportagem adicional de Pedro Fonseca)

STUART GRUDGINGS, REUTERS

16 de abril de 2008 | 16h28

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