Ônibus invade calçada e 2 morrem na zona sul

Idoso ficou gravemente ferido no Largo do Socorro

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2009 | 00h00

Um gari de 45 anos e um ciclista de 32 morreram após serem atropelados na calçada por um ônibus, ontem de manhã, no Largo do Socorro, zona sul de São Paulo. Elídio Costa, motorista do coletivo que fazia o itinerário Terminal Varginha-Santo Amaro, relatou que foi fechado por uma moto e perdeu a direção. Um pedestre de 73 anos, que não foi identificado, também ficou gravemente ferido e permanecia até as 20 horas de ontem no Hospital Regional Sul. No 102º DP (Capela do Socorro), Costa prestou depoimento e foi liberado. Ele vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os cerca de 30 passageiros que estavam no ônibus não se feriram. O gari Antonio Carlos Ribeiro, que recolhia o lixo da calçada quando foi atingido, morreu no local. Já o ciclista Fernando Martins Couto, de 32 anos, passeava de bicicleta à beira da calçada, quando houve o choque. Um semáforo chegou a ser derrubado.

Os passageiros foram ouvidos pela polícia, mas comentaram com a reportagem que o motorista do ônibus estava em alta velocidade. Segundo policiais civis, uma câmera da Policia Militar gravou o acidente e, com as imagens, será possível constatar se houve negligência. A São Paulo Transporte (SPTrans) relatou que investiga o caso, mas inicialmente o acidente com o ônibus se deveu a outro veículo.

VELÓRIO

Os corpos dos dois homens foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML) do Brooklin, na zona sul. A irmã de Ribeiro, a montadora Marlene Ribeiro, de 41 anos, disse que sentiu "um aperto no coração" na hora do almoço. "Eu pensei no meu irmão porque uma funcionária da empresa (ela trabalha no mesmo bairro) me disse que um gari havia morrido. No fundo, eu não queria acreditar, mas uma hora depois veio a confirmação, com o telefonema de outro irmão."

A família toda é da cidade de Califórnia, no Paraná. Todos vieram trabalhar em São Paulo e a maioria ganha a vida varrendo ruas em São Paulo. "Meu irmão era um grande amigo e amava a profissão. Estava há 16 anos na mesma empresa. Tinha duas filhas e uma neta, era o mais velho de nove irmãos", afirmou Marlene.

O pai da vítima, e também varredor, Aldo Ribeiro, de 70 anos, disse que o filho era motivo de orgulho. "Mesmo cansado, ele fazia questão de encontrar a família e tinha um grande amor pela mãe."

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