Reprodução/Instagram Rafhaela Martins
Reprodução/Instagram Rafhaela Martins

ONS determina redução de oferta de energia e falta luz em 10 Estados e no DF

ONS diz que uma das causas do problema foi o pico de consumo, mas ministro Eduardo Braga afirma que falha foi numa linha de Furnas

André Borges, Anne Warth, Tânia Monteiro, Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2015 | 16h18

Atualizado às 23h25


BRASÍLIA - O cenário complicado do setor elétrico ganhou mais um ingrediente nesta segunda-feira, 19, com um apagão que afetou pelo menos dez Estados e o Distrito Federal. As explicações do governo para o problema, que ocorreu à tarde, foram demoradas e apontaram algumas divergências.

Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), informou que o problema foi provocado por “restrições na transferência de energia” das Regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, “aliadas à elevação da demanda no horário de pico”. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, no entanto, afirmou que o problema foi provocado por uma falha numa linha de transmissão da estatal Furnas, mas sem relação com um pico de consumo.

“Houve um problema de equipamento. Se não houvesse essa falha técnica, não teria a queda de energia. Na semana passada, houve um pico de consumo e o fornecimento não foi afetado”, disse Braga. Questionada pelo Estado, Furnas informou que não havia registrado nenhum problema em suas operações de geração, e também não mencionou a ocorrência em sua linha de transmissão.

O apagão, que começou por volta das 14h30, durou mais de uma hora e chegou a parar uma linha do Metrô de São Paulo. Foram afetadas diversas regiões de São Paulo, Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do DF.

A falta de energia deixou a presidente Dilma Rousseff muito preocupada, segundo assessores do Planalto. Dilma havia se reunido pela manhã com Braga para discutir a concessão de subsídios ao setor. Por telefone, passou a tratar do apagão. “A presidente ficou muito irritada”, disse um auxiliar. Dilma “cobrou explicações plausíveis” para o ocorrido, que considerou “muito grave”.

Apesar de afirmar que a causa do problema foi a falha na transmissão, Braga disse que só o ONS poderia esclarecer o que aconteceu. “Estamos pedindo esclarecimentos técnicos (ao ONS). Queremos entender como a falha do equipamento afetou a frequência do sistema”, disse Braga.

De acordo com o ONS, o pico de consumo na tarde desta segunda-feira provocou variações na rede elétrica nacional. Essa instabilidade derrubou a geração de 11 usinas em operação no País, entre elas a termonuclear Angra I, no Rio de Janeiro.

Para restabelecer a normalidade no abastecimento e evitar um blecaute geral, o ONS optou por reduzir a carga de distribuidores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Essa ação, de acordo com o operador, afetou menos de 5% da carga total do sistema.

Explicações. O governo Dilma vem sofrendo com apagões desde o primeiro mandato. Dilma foi informada sobre o novo caso quando estava reunida com os chamados “ministros da Casa”. O tema se transformou no principal assunto do encontro. Dilma passou a ligar para Eduardo Braga, exigindo explicações sobre o ocorrido. E determinou a busca de soluções para evitar problemas semelhantes. A presidente não quer nem ouvir falar em contenção de consumo de energia. A maior preocupação de Dilma é a persistência do intenso calor em todo o País e a alta de consumo de energia. Dilma determinou a mobilização de todos os técnicos do governo para evitar novas “falhas”.

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