ONS prevê alta entre 2% e 3% na geração de energia este ano

A crise global que reduziu a demanda por energia no país vai abater pela metade o crescimento verificado no ano passado na geração de energia elétrica, que deverá crescer entre 2 e 3 por cento em 2009 contra 2008 ante 5 por cento de 2008 em relação a 2007, previu o diretor geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp.

REUTERS

24 de março de 2009 | 13h42

Com isso, a carga média que será movimentada no ano deve ser de 53 mil megawatts, contra 55 mil megawatts em 2008.

"Acho que vamos voltar ao crescimento original do sistema a partir de 2010", previu Chipp durante seminário do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel).

Chipp destacou que em fevereiro e março o sistema deu sinais de recuperação em relação a perdas acumuladas desde novembro do ano passado, quando começou a encolher tanto em relação ao mês anterior quanto na comparaçã anual.

"Fevereiro e março podem representar já uma reação. A tendência começou a crescer em fevereiro e os dados preliminares de março confirmam isso", disse Chipp a jornalistas após participar do seminário.

"A redução de impostos promovida pelo Governo para a compra de carros e outros e a pequena melhora no crédito deram uma reversão no processo", acrescentou o diretor do ONS.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico vai se reunir na quarta-feira e deve aliviar os níveis de segurança do sistema, informou. O Comitê estabelece em que nível de água os reservatórios das hidrelétricas devem estar cheios para que sejam acionadas as usinas térmicas.

O nível meta para esse ano estabelecido em novembro passado era de 53 por cento dos reservatórios do Sudeste e do Centro Oeste, mas com a redução da demanda e a grande quantidade de chuva, Chipp aposta que será possível uma redução desse objetivo para 47 por cento ou menos.

"Acho que a gente pode se dar ao luxo esse ano e atingir os níveis necessários sem fazer grandes esforços", disse ele "Esse ano vamos acionar bem menos térmicas. Serão também menos à óleo e mais à gás natural", adicionou.

ARGENTINA

O diretor geral do ONS informou que a partir de maio o Brasil vai voltar a exportar energia para a Argentina. O volume para atender o período de maior demanda do país vizinho deve oscilar entre 500 a 1000 megawatts entre maio e setembro.

"Isso deve ocorrer por mais anos até que eles resolvam o problema de gás natural, que não é rápido", afirmou Chipp, que defendeu a criação de um mercado de negociação de energia entre os países da América do Sul.

"Acho que assim você não corre o risco de não haver a devolução. Somos também um continente pobre. Se tem energia mais barata lá manda para cá ou vice-versa", frisou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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