ONS reduz previsão para represas de usinas e aumenta projeção de consumo

ONS reduz previsão para represas de usinas e aumenta projeção de consumo

Segundo Operador Nacional do Sistema Elétrico, reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste devem fechar o mês de outubro com 18,4% de armazenamento de água; nível atual, de 20,3%, já é inferior ao de outubro de 2001, ano do racionamento

André Magnabosco, Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 21h25

As previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o nível dos reservatórios das usinas e crescimento do consumo de energia em outubro pioraram diante do cenário de estiagem que afeta o País, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira.

O ONS reduziu a projeção para os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste no fim do mês para 18,4% de armazenamento. A previsão anterior era 19% em 31 de outubro. 

As chuvas esperadas para a região neste mês devem ser equivalentes a 62% da média histórica, ante 67% previstos na semana passada. No início do mês, a previsão era de que as afluências fossem de 89% da média.

Atualmente, o nível dos reservatórios do Sudeste está em 20,32% e já é pior que o verificado no fim de outubro de 2001, ano do racionamento. No Nordeste, as represas devem encerrar o mês em 15,2% de armazenamento, sendo que as afluências de outubro ficarão muito abaixo da média, em 36%.

O Norte terá chuvas equivalentes a 75% da média e o nível das represas no fim do mês deverá ser de 33,7%. No Sul, onde está chovendo acima da média, as represas devem fechar o mês em 85,7% de armazenamento, ante 90,56% atualmente.

O ONS já opera para mitigar a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas, reduzindo a geração e acionando praticamente todas as termelétricas disponíveis no País.

Com a piora do cenário, o preço de energia de curto prazo, conhecido como Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), foi mantido no máximo de R$ 822,83 o megawatt hora (MWh) em todas regiões e patamares de carga do País para a próxima semana, segundo divulgou a 

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Depois de alguns meses de trégua, o preço voltou ao máximo na semana passada.

Consumo. O Informe do Programa Mensal de Operação (Ipmo), publicado semanalmente pelo ONS, sinaliza que as condições de chuva para a última semana do chamado período seco continuam desfavoráveis. Foi essa previsão, associada a uma perspectiva de aumento da demanda por energia, que obrigou o ONS a reduzir as estimativas para o nível dos reservatórios no final do período seco.

O ONS também revisou a previsão da carga mensal no sistema nacional para o mês de outubro, que deverá ficar em 66.376 MW médios. O número é superior à estimativa anterior, de 66.030 MW médios. 

Caso confirmada a nova projeção, a carga terá crescimento de 3% na comparação com o mesmo mês de 2013, acima da estimativa de 2,4% divulgada na sexta-feira passada.

O principal destaque fica por conta da Região Sul, onde a estimativa de aumento de consumo em outubro foi elevada pelo Operador de 3,4% para 5,2%.

Tractebel. A elevação dos preços da energia no curto prazo beneficiou a Tractebel Energia, maior geradora privada de energia do País. A empresa teve alta de 34% no lucro líquido do terceiro trimestre, resultado bem acima do esperado pelo mercado. 

A empresa, que já havia dito que teria melhora a partir desse trimestre, teve lucro de R$ 538,2 milhões. No acumulado do ano, o lucro é de R$ 901,2 milhões, queda de 21,7% na comparação com o mesmo período de 2013.

A receita líquida de vendas subiu 22,6%, a R$ 1,74 bilhão, ajudada por elevação do preço médio líquido e volume de energia vendida, além de aumento na receita decorrente das transações no mercado de curto prazo dentro da CCEE. / Com informações da Reuters

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