ONU acompanha 'atentamente' crise em reserva de Roraima

Alto escalão da organização diz esperar uma solução rápida para o conflito; na última 2ª, índios foram baleados

JAMIL CHADE, Agencia Estado

06 de maio de 2008 | 15h04

O alto escalão da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira, 6, que está acompanhando "atentamente" a crise na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e espera uma solução "rápida" para que a violência seja evitada. Desde meados do ano passado, relatores da ONU vêm alertando o governo brasileiro para que dê uma resposta ao problema antes que saia de controle.  Veja também: STF autoriza a Polícia Federal a entrar na Raposa Serra do SolTensão cresce e ministro da Justiça vai com PF para reservaPF envia reforço para apurar disparos contra índios na Raposa Fórum: na sua opinião, qual é a solução para o conflito   Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol 'Roraima é do Brasil graças aos índios', diz especialista  Agora, a ONU afirma estar disposta a emitir novos apelos públicos caso não haja uma solução. Miloon Khotari, relator da ONU para moradia, se queixou no início do ano que a ocupação de fazendeiros em terras indígenas violava os direitos dos povos do local. Uma série de relatórios internos da ONU também apontam para a crise e apelam para que os povos indígenas possam viver sem a ameaça dos produtores locais.No escritório da ONU em Genebra, o alto escalão não esconde que pode tomar medidas para recriminar o governo em público se a situação se agravar nos próximos dias. Sem o poder de intervir, a ONU apenas pode emitir comunicados e expor publicamente o governo diante dos demais países. A tensão em torno da ocupação da terra indígena Raposa Serra do Sol - homologada há três anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - não tem data para acabar. O motivo foi o início, em 27 de março, da Operação Upakaton 3 - nome dado pela Polícia Federal à serie de ações com que as autoridades federais pretendem retirar da área os últimos ocupantes que ainda estão lá: pequenos proprietários rurais, alguns comerciantes e um grupo de grandes e influentes produtores de arroz.  Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou  a Polícia Federal a entrar na reserva para apurar as circunstâncias do conflito ocorrido na última segunda-feira, quando dez índios das etnias macuxi e ingarikó foram feridos à bala, após tentativa de ocupação da fazenda Depósito, do arrozeiro Paulo César Quartiero. Quartiero também é prefeito do município de Pacaraima. A autorização do Supremo permite que a PF entre especialmente na fazenda onde aconteceu o incidente. A informação é do Ministério da Justiça.  Texto ampliado às 16h08

Mais conteúdo sobre:
Raposa Serra do Sol

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.