ONU aponta corrupção em recursos contra aids

Auditoria revela que o que prometia ser o maior plano de ajuda à saúde nos países pobres está corroído pela corrupção. Parte substancial do dinheiro internacional destinado à compra de remédios nunca chega às vítimas da aids, tuberculose ou malária. O relatório dos auditores do Fundo Global concluiu que, em alguns dos programas, até dois terços dos recursos simplesmente desaparecem ao chegar aos países beneficiados.

AE, Agência Estado

25 de janeiro de 2011 | 09h46

Os auditores não sabem ainda dizer quanto a corrupção movimentaria dentro do sistema. Por enquanto, investigaram apenas 20 países que receberam recursos e já ficou claro que o desvio de doações para países como Haiti, Zâmbia ou Mali chegaria a mais de US$ 50 milhões.

O Fundo Global foi criado em parte como uma iniciativa do Brasil para garantir recursos para compra de remédios para o tratamento da aids, tuberculose e malária. Com a promessa de receber US$ 21,7 bilhões, a entidade com sede em Genebra se transformou no maior programa de saúde do mundo, apoiada por celebridades e governos. Bill Clinton, Bono, Carla Bruni e Bill Gates são alguns dos incentivadores da ideia.

Mas a constatação é que uma parte significativa do dinheiro é justificada com documentos falsificados e uma contabilidade pouco clara. Para os investigadores, isso provaria o desvio de recursos e até o uso dos remédios para a venda no mercado negro. Por enquanto, os auditores apenas investigaram uma fração do que o fundo já enviou aos países pobres desde 2002. Em oito anos, a entidade já financiou programas de saúde no valor de US$ 10 bilhões, alguns no Brasil.

O que os auditores encontraram até agora os surpreendeu: 67% do dinheiro para um programa contra a aids na Mauritânia foi alvo de um uso "duvidoso". Na Zâmbia, US$ 3,5 milhões enviados até hoje não foram justificados. No Haiti, US$ 1,2 milhão foi usado sem justificativa e não há garantias de que dinheiro tenha um fim adequado. No Mali, há suspeitas de corrupção em programas contra malária e tuberculose: US$ 4 milhões, 36% do dinheiro enviado pelo fundo, foram usados sem que o governo obtivesse comprovantes para justificá-los. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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