ONU diz que muçulmanos correm risco na República Centro-Africana

Pelo menos 13 pessoas foram mortas na República Centro-Africana nesta segunda-feira, quando a principal autoridade de direitos humanos da Organização das Nações Unidas alertou para a escalada de represálias contra muçulmanos e pediu aos governos estrangeiros que façam mais para evitar a destruição do país.

Reuters

27 de janeiro de 2014 | 20h30

Quase um milhão de pessoas, ou um quarto da população, foram deslocadas pelos combates desde que o grupo rebelde Seleka, de maioria muçulmana, tomou o poder em março no país de maioria cristã. Pelo menos 2.000 pessoas foram mortas.

Nos últimos dias, os combatentes do Seleka têm abandonado a capital, Bangui, deixando civis muçulmanos à mercê da milícia cristã, conhecida como "antibalaka" ou "antimachete" na língua local, sango.

Saques e violência em massa contra bairros principalmente muçulmanos de Bangui se intensificaram apesar da presença de uma força de intervenção francesa de 1.600 soldados e milhares de tropas de paz africanas.

Um porta-voz da Cruz Vermelha local disse que havia recuperado 13 corpos das ruas de Bangui nesta segunda-feira, em bairros cristãos e muçulmanos, e tratado oito feridos.

"A situação de segurança e de direitos humanos se deteriorou ainda mais nos últimos dias", disse a comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, em comunicado.

"Civis muçulmanos são agora extremamente vulneráveis. Muitos estão sendo empurrados para fora do país ao lado de ex-selekas, e agora estão em fuga, principalmente em direção à fronteira do Chade", disse ela.

"Nós simplesmente não podemos deixar que o tecido social deste país seja destruído", disse Pillay. "Eu apelo em condição de máxima urgência à comunidade internacional para fortalecer os esforços de paz... Muitas vidas estão em jogo."

Para aliviar um pouco a situação da população local, um comboio do Programa Mundial de Alimentos com 10 caminhões carregados com 250 toneladas de cereais chegou à capital sob escolta militar francesa. Os veículos estavam parados há três semanas na fronteira de Camarões por temores com a segurança.

(Reportagem de Emmanuel Braun)

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