ONU estuda restrições ao consumo para proteger espécies

Os europeus poderão descobrir, dentro em breve, que alguns de seus pratos favoritos à base peixe saíram dos menus, ao mesmo tempo em que apreciadores de jóias feitas de coral e consumidores de remédios asiáticos serão constrangidos a mudar de hábito, indicou a ONU nesta quarta-feira, 28. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirmou que as propostas que estão na agenda de uma importante conferência a ser realizada em julho, caso aprovadas, significarão a imposição de regras duras para o comércio de várias espécies de seres vivos ameaçadas - entre plantas e animais terrestres e marinhos. Segundo o Pnuma, a União Européia (UE) deseja ver controlado o comércio do cação-espinho, um pequeno tubarão conhecido também como "salmão das pedras" e bastante consumido com batatas fritas, no Reino Unido, e com raiz-forte, na Alemanha. Os EUA tentam restringir o comércio do coral rosa, o tipo mais valioso do pequeno pólipo marinho, enquanto o Quênia e o Mali desejam a suspensão, por 20 anos, do comércio do marfim, bruto ou trabalhado, a fim de proteger os elefantes. As propostas serão discutidas no encontro trienal entre os países signatários da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites, na sigla em inglês), que acontece em Haia, entre os dias 3 e 15 de junho. A Cites, cujo secretariado trabalha com o Pnuma, nasceu em 1973 com mais de cem países-membros, e hoje conta com um total de 169 signatários. Entre as espécies para as quais se pede mais proteção estão os lóris da Ásia, pequenos primatas de olhos grandes, as enguias européias, o peixe-serra, as lagostas do Caribe, e o cedro e o pau-rosa latino-americanos. O Camboja, que tenta convencer a Cites a proibir totalmente o comércio do lóris, argumenta que o primata - popular como animal de estimação na Ásia, mas ameaçado, principalmente, porque seus ossos são usados como ingrediente de remédios tradicionais na região - poderá ser levado, em breve, à extinção. Os países que pedem a imposição de restrições no comércio de enguias, peixes-serra e lagostas argumentam que as populações desses animais estão diminuindo rapidamente, devido à pesca predatória. Já os defensores das árvores tropicais dizem que elas estão desaparecendo devido à extração comercial. A proposta de que se proíba totalmente o comércio de marfim deve ser duramente criticada por países do sul da África, que argumentam ter obtido sucesso em seus esforços para conter a matança ilegal de elefantes, algo que, segundo especialistas da Cites, não foi ainda provado.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2007 | 19h34

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