ONU quer investigação sobre excesso policial em SP

A Organização das Nações Unidas (ONU) pede a abertura de "investigações independentes" para determinar os responsáveis pelo uso exagerado da força pela polícia durante as manifestações no Brasil e confirma que recebe alegações de que os protestos são acompanhados por detenções arbitrárias e "uma série de danos, ferimentos e prisões, incluindo de jornalistas que cobrem os eventos".

JAMIL CHADE, Agência Estado

19 de junho de 2013 | 08h40

Numa rara declaração dedicada ao Brasil nesta terça-feira em Genebra, o Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU fez um chamado a manifestantes e ao governo para que estabeleçam um "diálogo" para que as "demandas sociais" da população sejam atendidas. A atitude da ONU foi considerada no meio diplomático como uma mensagem política de que a organização cobrará a administração federal por uma atitude que siga padrões democráticos.

De acordo com a organização, o Poder Executivo federal precisa abrir, imediatamente, "investigações completas, independentes e imparciais sobre o alegado uso excessivo da força". "Instamos as autoridades brasileiras a exercer a moderação ao lidar com os difundidos protestos sociais, convocando também os manifestantes a não recorrer a atos de violência em busca de suas demandas", disse o porta-voz da ONU para Direitos Humanos, Rupert Colville.

"Com mais protestos planejados para acontecer, estamos preocupados com o uso excessivo da força policial relatada nos últimos dias, que não deve ser repetida", declarou. Segundo Colville, "algumas organizações da sociedade civil têm também denunciado a arbitrariedade de algumas dessas detenções".

Direito de se manifestar

A ONU insistiu que cabe às autoridades assegurar o direito dos manifestantes de protestar de forma pacífica. "Pedimos ao governo brasileiro para tomar as medidas necessárias para garantir o direito de se manifestar, pacificamente, e para prevenir o uso desproporcional da força durante os protestos", apontou.

"Instamos todas as partes envolvidas a se envolver num diálogo aberto para encontrar soluções para o conflito e as alternativas para lidar com as demandas sociais legítimas, bem como para evitar mais violência", apontou, destacando que o protesto está relacionado com o aumento do custo dos transportes públicos e os custos de sediar a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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