ONU vê intensificação de combates por cidade síria de Aleppo

A aguardada ofensiva do Exército sírio para expulsar as forças rebeldes de Aleppo é iminente, depois da concentração militar em torno da maior cidade do país, segundo um funcionário graduado da Organização das Nações Unidas.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

03 de agosto de 2012 | 10h33

As forças do presidente Bashar al-Assad mataram mais de 80 pessoas em uma série de ataques em todo o país desde a noite de quinta-feira, disseram fontes da oposição, relatando uma intensificação do conflito em várias cidades.

A violência ocorre horas depois de o mediador internacional Kofi Annan deixar essa função, salientando sua impotência para controlar um conflito que já dura 17 meses.

O conflito entrou em uma nova fase em 18 de julho, quando um atentado a bomba em Damasco matou quatro membros graduados do regime de Assad. Depois disso, os combates se espalharam da capital para Aleppo, maior polo comercial sírio.

Nas últimas duas semanas, o Exército vem reforçando suas posições em Aleppo e arredores, e realiza bombardeios diários com artilharia e aviões contra bairros dominados pelos insurgentes.

"O foco há duas semanas era Damasco. O foco agora é Aleppo, onde houve um considerável acúmulo de meios militares, e onde temos razão para crer que a principal batalha está prestes a começar", disse Hervé Ladsous, subsecretário-geral da ONU para operações de paz, em Nova York.

Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição na quinta-feira em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um campo de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas. Líderes palestinos na Cisjordânia e Faixa de Gaza condenaram o incidente.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

Agências de notícias russas informaram que Moscou está despachando três navios de desembarque para a sua base naval que funciona na cidade portuária síria de Tartus.

(Reportagem adicional de Dominic Evans e Mariam Karouny em Beirute, Gabriela Baczynska em Moscou, Tom Miles em Genebra, Khaled Yacoub Oweis em Amã, e Sui-Lee Wee em Pequim)

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