Fábio Motta/ Estadão
Fábio Motta/ Estadão

Onze dias após título, diretor de carnaval Laíla deixa a Beija-Flor

Saída ocorre depois que diretor de carnaval demonstrou estar disposto a mudar para a Grande Rio e criticou a Beija-Flor

Fábio Grellet, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2018 | 19h42

Onze dias após a conquista do título do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a Beija-Flor anunciou neste domingo, 25, a saída do diretor de carnaval Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, de 74 anos. Figura histórica da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Laíla estava em sua terceira passagem pela escola, iniciada em 1995.

Ao longo dos 23 desfiles do período, conquistou nove títulos - 1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015 e 2018.  A Beija-Flor divulgou comunicado sobre a saída do diretor pelas redes sociais, mas não informou nenhuma razão para o desligamento de Laíla.

A decisão, no entanto, já se desenhava pelo menos desde a apuração do desfile carioca, quando Laíla, mesmo tendo conquistado o título, criticou a Beija-Flor e demonstrou estar disposto a se transferir para a Grande Rio, escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, cujo presidente de honra é Jayder Soares.

“Se eu não sirvo mais, vou ajudar o Jayder. O Anísio (presidente de honra da Beija-Flor) precisa rever alguns detalhes, mas, se não mudar, vou para o segundo grupo com a Grande Rio. Vou ter liberdade pra trabalhar”, afirmou Laíla na ocasião.

O diretor de carnaval já trabalhou na Grande Rio entre 1992 e 1994. Por enquanto, não há nenhuma confirmação sobre sua ida para a escola que foi rebaixada para a Série A, segunda divisão do carnaval do Rio.

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Agradecimento. A nota divulgada pela Beija-Flor limita-se a agradecer a Laíla pela parceria. “Gratidão: é a partir deste importante valor que a Beija-Flor de Nilópolis anuncia o desligamento de Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, do quadro de funcionários da escola. A saída do diretor de carnaval e membro da comissão de carnavalescos acontece amigavelmente em comum acordo entre ele e a diretoria da agremiação, que agradece pela essencial participação de Laíla na formulação de seus últimos 23 desfiles”, diz o texto.

A Beija-Flor “reconhece e enaltece a importância das ideias de Laíla e de sua disposição para as tentativas de transformar não só a escola, mas também o maior espetáculo da Terra. A equipe de carnaval (...) deseja caminhos abertos e prósperos a quem tanto lutou para que os nossos estivessem sempre livres e vitoriosos. Obrigado, Laíla! Um grande abraço da Família Beija-Flor!”, concluiu a nota.

Carreira. Laíla começou sua carreira na Salgueiro, onde foi diretor de carnaval, diretor de harmonia e chegou até a cantar - no primeiro disco de sambas-enredo, lançado antes do carnaval de 1968, era ele quem entoava “Dona Beja - A Feiticeira de Araxá”.

Após o carnaval de 1975 foi contratado pela Beija-Flor, na equipe do carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011), com quem manteve uma parceria vencedora até 1980 e depois entre 1989 e 1992. Em 1989, a escola de Nilópolis apresentou o enredo “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” e levou à Sapucaí uma réplica do monumento do Cristo Redentor esfarrapado.

A peça foi proibida de ser exibida por decisão judicial, mas foi de Laíla, segundo o próprio, a ideia de levá-la à Sapucaí coberta por plástico preto. Junto ao plástico, se lia a frase “mesmo proibido, olhai por nós”.

Joãosinho Trinta nunca contestou a afirmação do então parceiro. Laíla já trabalhou também na Unidos da Tijuca (de 1980 a 1983), Vila Isabel (1986), na paulistana Unidos do Peruche (1991) e na escola Arco-Íris, de Belém (PA) (de 1985 a 1988).

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