Operação contra fraude na conta telefônica prende 59

Quadrilha desmantelada na ação da polícia no PR e em SC teria causado prejuízo de R$ 7,5 milhões

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2008 | 18h26

A polícia paranaense tinha prendido, até a tarde desta terça-feira, 4, 59 pessoas acusadas de participarem de um golpe que pode ter causado prejuízo de aproximadamente R$ 7,5 milhões à operadora de telefonia Brasil Telecom desde 2003. As prisões ocorreram no Paraná e em Santa Catarina. Os policiais ainda estavam à procura de mais 14 pessoas que tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Entre os presos está Vandré de Oliveira Araújo, de 24 anos, acusado de ser o líder do esquema. Outros oito presos são co-autores junto com Araújo, oito são funcionários de empresas ou aliciadores e 42 são beneficiários.   Segundo o delegado-chefe da Subdivisão do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Francisco Alberto Caricati, a Operação Espectro iniciou há cerca de um ano, quando a Brasil Telecom apresentou queixa de que estava tendo prejuízos injustificados em razão de provável invasão no banco de dados da empresa. "Foi um trabalho extremamente profissional, com uso das mais modernas técnicas de inteligência policial", elogiou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.   Caricati disse que a quadrilha trabalhava com vários tipos de fraudes, sendo os mais comuns a alteração de cadastro de clientes e a redução de contas telefônicas. Araújo, que já trabalhou em empresas especializadas em telefonia, seria o mentor e contava, para isso, com a ajuda de funcionários da própria Brasil Telecom ou de empresas terceirizadas. Eles forneciam as senhas, que são trocadas a cada 45 dias pela própria empresa como segurança, para que as alterações pudessem ser realizadas.   A alteração de cadastro de clientes permitia que algumas pessoas utilizassem os telefones que estavam em nome de outras que nem tinham conhecimento. Como as contas não eram pagas, esses terceiros somente iam descobrir que foram utilizados pela quadrilha quando precisassem de alguma certidão negativa dos órgãos de proteção ao crédito. Na outra modalidade, a quadrilha tinha aliciadores para procurar clientes interessados em reduzir a conta telefônica.   "Os funcionários da Brasil Telecom recebiam uma espécie de aluguel semanal de suas senhas de acesso e de segurança do sistema da empresa", disse Caricati. Com elas, Araújo conseguia entrar em qualquer momento no sistema, abrir ordens de serviço e fazer as alterações que quisesse na conta, particularmente as retificações nos valores. De acordo com a polícia, algumas contas chegaram a ter redução de até 95% em relação ao valor original. "Algumas chegaram a ser diminuídas para R$ 0,02", acentuou o delegado.   Os beneficiários do golpe pagavam à quadrilha 50% do valor devido. Na maioria das vezes, Araújo ficava com a metade disso e repartia o restante com os aliciadores. Caricati disse que mais de 500 pessoas se beneficiaram, mas a "questão processual" não teria alcançado a maioria, que não teve a prisão decretada. O delegado afirmou que, durante as investigações, observou indícios de que o golpe pode ter atingido também outras empresas de telefonia fixa e celular. "Vamos investigar isso com mais precisão", adiantou.   Em cumprimento a mandados de busca e apreensão, foram recolhidos vários documentos, como comprovantes de pagamentos, extratos bancários, listas com números de telefones, notebooks, memórias de computador e uma espécie de central telefônica. Todos os presos serão indiciados por estelionato e formação de quadrilha. Vandré foi apresentado à imprensa, mas recusou-se a responder a qualquer pergunta. Seu advogado, Felipe Almeida, foi constituído na tarde de ontem e disse que ainda não tinha nada para declarar. A Brasil Telecom disse que tem colaborado nas investigações, visto ter sido ela a identificar e encaminhar à polícia a denúncia da fraude.

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