Operação policial prende 31 em aterro sanitário no Rio

Ação conjunta no Jardim Gramacho fecha 31 empresas que descartavam lixo de forma inadequada

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2011 | 03h02

Trinta e uma pessoas foram detidas no entorno do aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), ontem, acusadas de cometerem crimes ambientais.

A operação, realizada pelas Polícias Federal, Civil e Militar em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), identificou e fechou 31 empresas. Uma delas é uma carvoaria sem licença. As outras 30 ocupavam ilegalmente áreas de mangue, descartavam lixo de forma inadequada ou comercializavam sem licença o lixo depositado no aterro.

Algumas empresas também são acusadas de explorar trabalhadores de baixa renda, contratados com salários irrisórios para recolher produtos em meio ao lixo.

"Essas empresas não têm a menor consideração com o ambiente. Elas são tanto geradoras de resíduos sólidos quanto adquirentes desses resíduos que deveriam estar no aterro. Os resíduos que produzem elas acabam jogando no seu entorno e são aproveitados pelo miseráveis, que por sua vez jogam seu lixo no mangue, na Baía de Guanabara", afirmou Fábio Scliar, delegado do Meio Ambiente da Polícia Federal. A ação policial mobilizou 210 agentes. Foram apreendidas quantidades não divulgadas de maconha e crack e até máquinas caça-níqueis abandonadas.

Interdição. Criado há mais de 30 anos, o aterro sanitário do Jardim Gramacho chegou a receber 7 mil toneladas de lixo por dia, recolhidas no Rio e em municípios da Baixada, sendo então considerado o maior aterro da América Latina.

Por causa da manipulação inadequada do lixo e dos efeitos do acúmulo dos detritos, o governo do Rio planeja fechar o aterro. Ele já está parcialmente interditado, mas o fechamento total é adiado desde 2007. A atual previsão do governo é que o aterro encerre as atividades até o fim deste ano. Hoje estima-se que 5 mil pessoas trabalhem no aterro, e sua interdição pode gerar desemprego. Por isso, o governo do Estado do Rio planeja oferecer cursos de capacitação a esses trabalhadores.

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