Operação prende 12 por fraudes em hospitais em SP

Uma operação desencadeada em conjunto pela Polícia Civil de São Paulo e Ministério Público Estadual (MP-SP) prendeu hoje doze pessoas envolvidas em um esquema de fraudes em plantões médicos e compras irregulares em hospitais públicos do Estado. Entre os presos estão o diretor do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), Heitor Fernando Xediek Consani, e os ex-diretores Ricardo José Salim e Antonio Carlos Nasi, além de médicos, enfermeiros e dentistas suspeitos de envolvimento no esquema. Policiais da Delegacia Seccional de Sorocaba e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deram início à Operação Hipócrates - uma referência ao juramento feito pelos médicos -, às 6 horas da manhã, munidos de 37 mandados de prisão e de busca e apreensão.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

16 Junho 2011 | 17h57

Em Sorocaba, a operação se concentrou na sede administrativa do CHS, que fica no Hospital Leonor Mendes de Barros - o conjunto é mantido pelo governo do Estado. O segundo andar do hospital foi interditado para a apreensão de documentos e computadores. As buscas se estenderam a outros hospitais da capital e de Itapevi, na Grande São Paulo. Também atingiram as casas de alguns envolvidos.

De acordo com o delegado Wilson Negrão, de Sorocaba, as investigações começaram em outubro de 2010 e foram motivadas por indícios de fraudes em licitações. Na análise dos documentos e em escutas autorizadas pela Justiça, verificou-se que os médicos recebiam até R$ 600 por plantões de 12 horas não realizados. Alguns profissionais eram escalados para dar plantões em dois hospitais ao mesmo tempo. Havia ainda funcionários fantasmas. Os envolvidos também são acusados de comprar materiais sem licitação e de dirigir as compras.

Os acusados responderão por peculato, formação de quadrilha, crimes em licitação, tráfico de influência e falsificação de documentos públicos e particulares. De acordo com o MPE, tiveram também as prisões decretadas Tânia Maris de Paiva, Célia Chaib Arbage Romani, Márcia Regina Leite Ramos, Tânia Aparecida Lopes, Tarley Eloy Pessoa de Barros, Kleber Castilho, Maria Helena Pires Alberici, Vera Regional Boendia Machado Salim, Edson Brito Aleixo e Edson da Silva Leite - um deles está foragido.

Pelas contas do promotor Wellington Velloso, do Gaeco, o esquema pode ter desviado mais de R$ 2 milhões da saúde pública - a Polícia Civil calcula que o desvio é maior.

Somente em Sorocaba, pelo menos 300 mil pacientes podem ter sido prejudicados pela falta de médicos em plantões. O caso se reveste de maior gravidade, segundo Velloso, por atingir pessoas em risco de vida que podem ter morrido por falta de atendimento. O promotor disse que o esquema operava desde 2008, mas as investigações só começaram há um ano e devem prosseguir. Possíveis mortes em consequência das fraudes serão apuradas.

Advogados das pessoas presas estiveram hoje na Delegacia Anti-Sequestro de Sorocaba, que centralizava as informações, em busca de documentos para entrar com pedidos de habeas corpus. Eles consideraram prematuro falar sobre o caso, sem conhecer a íntegra das acusações.

A Secretaria de Saúde do Estado divulgaria nota sobre a operação. O CHS é o maior hospital público da região de Sorocaba e atende cerca de 2 milhões de pessoas de 48 cidades, mas enfrentava crise até março deste ano, quando o governador Geraldo Alckmin liberou R$ 60 milhões para reforma e ampliação das instalações.

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