Opinião de bispo gera conflito na PUC

Alunos interromperam reunião da administração para protestar contra d. Luiz Bergonzini, que também atrai apoio

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

16 Março 2012 | 03h07

As declarações do bispo d. Luiz Bergonzini, da diocese de Guarulhos (SP), de que professores com ideias contrárias às da Igreja não deveriam lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), foram o estopim para manifestações contrárias e a favor da sua posição. Estudantes fizeram ontem um apitaço na instituição contra a opinião do bispo. Mas também houve cartazes a favor dele.

Cerca de 30 alunos interromperam a reunião com apitos e cartazes com frases como "legalização do aborto", "sou comunista" e "sou gay". A estudante de Direito Isadora Penna, de 21 anos, diz que a ideia é cobrar um posicionamento da reitoria. "O reitor deve se posicionar contra a concepção de universidade que o bispo defende. Essa declaração fere direitos de educação e liberdade, garantidos na Constituição."

Em seu blog, Bergonzini disse que docentes favoráveis a descriminalização de aborto, eutanásia, maconha, "ideologia homossexual" ou "comunistas" deveriam procurar outra instituição - conforme o Estado publicou na terça.

Apesar da polêmica, d. Luiz não está sozinho na PUC. Um grupo de cinco estudantes distribuiu um cartaz intitulado "Por uma PUC Católica". No texto, há a frase: "Nós apoiamos d. Luiz e você?".

Antony Wright, de 26 anos, mestrando de Direito, é um dos estudantes por trás dos cartazes. "Dentro de uma instituição católica, faz sentido defender isso. O professor pode ter a religião que quiser, mas tem de respeitar a posição da Igreja do que é certo ou errado", diz. Wright diz que muitos têm preconceito contra a Igreja, mas que recebeu apoio de 13 alunos por e-mail.

O Estado solicitou, pela segunda vez, entrevista com o reitor Dirceu de Melo. Na segunda, ele não estava na universidade. Ontem, não houve resposta da PUC-SP. / COLABOROU CARLOS LORDELO, DO ESTADÃO.EDU

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