Oposição acusa governo de violência às vésperas de eleição no Paquistão

Partidos temem fraudes nas eleições, marcadas para a próxima segunda-feira.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

15 de fevereiro de 2008 | 16h25

Os principais partidos de oposição no Paquistão alegam que seus simpatizantes estão sendo vítimas de violência por parte de governistas e dizem temer fraudes nas eleições parlamentares e locais, marcadas para a próxima segunda-feira.Tanto o PPP (Partido do Povo Paquistanês, de Benazir Bhutto, a ex-primeira-ministra assassinada em dezembro) como o outro grande partido da oposição, o PML-N, vêm mantendo segredo sobre os locais onde acontecem seus comícios, para diminuir a chance de que sejam atacados. "Estamos organizando os comícios rapidamente, mobilizando os simpatizantes em poucas horas", disse o ex-senador Taj Haider, um dos líderes do PPP na Província de Sindh, onde fica Karachi, a maior cidade do país. "Estão matando nossa gente, atacando nossos comícios."Haider prevê "caos total" no país no dia do pleito. "O Estado apóia os partidos oficialistas que estão armados, nos perseguem e matam."AcusaçõesO líder do PML-N (e, segundo alguns, o nome mais cotado para ocupar o cargo de primeiro-ministro), Nawaz Sharif, acusou o atual presidente, Pervez Musharraf, de centenas de mortes nos dois atentados contra Benazir Bhutto entre outubro e dezembro. "Para sobreviver, Musharraf precisa fraudar as eleições", disse Sharif.O governo rejeitou as acusações e diz que vai enviar mais forças de segurança para patrulhar cerca de cinco mil locais de votação considerados mais problemáticos."Em quase todos eles vão ser mobilizados quase duas vezes o número normal de policiais", afirmou Qamar Zamam, comissário-chefe da Justiça eleitoral de Sindh.A comissão eleitoral afirma que as áreas que serão protegidas vão ser determinadas pela Polícia. A oposição diz que apenas locais de votação em redutos eleitorais do governo vão ser vigiados. Outra acusação é a de que o governo teria reduzido o número de locais de votação e transferido certas zonas eleitorais de regiões onde a oposição teria mais força para lugares dominados por simpatizantes do governo.O comissário eleitoral nega a alegação, dizendo que "todos querem que o local de votação seja estabelecido em sua zona de influência, o que não é justo".ProtestosO líder do PPP, Asif Zardari, declarou que o partido vai pedir para que a população tome as ruas nacionalmente se houver a percepção de que as eleições foram fraudadas, "mas apenas depois de esgotarmos o diálogo".O presidente Pervez Musharraf rejeitou a possibilidade de aceitar os possíveis protestos."Eles (a oposição) não devem ficar na ilusão de que vão levar o povo para as ruas após as eleições, nada disso será aceito", disse ele."Nesses tempos de terrorismo e extremismo, não aceitaremos anarquia, agitação ou caos."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.