Oposição critica atuação de Paes

Vereadora do PSDB diz que ele legitimou 'fichas-sujas'

RIO, O Estadao de S.Paulo

28 Dezembro 2009 | 00h00

O estilo do prefeito Eduardo Paes (PMDB) teve repercussão positiva na Câmara Municipal carioca, que ele e seu governo procuraram prestigiar, pelo menos no primeiro semestre de 2009, reconhece a vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), da oposição. "Ele mesmo trouxe à Casa projetos de interesse do Executivo e os secretários vieram discuti-los", diz.

A postura, entretanto, teria mudado no segundo semestre, quando, afirma Andréa, pareceu haver a decisão de entregar a relação entre governo e Câmara a quem "sabe fazer". Paes, diz ela, uniu os grupos dos vereadores Jorge Felippe (PMDB), atual presidente da Casa, e Jorge Pereira (PT do B), até então rivais, e legitimou parlamentares "fichas-sujas". Um deles, conta, foi Cristiano Girão, do PMN. O parlamentar foi preso na semana retrasada, acusado de integrar uma milícia.

"O prefeito também distribuiu as vilas olímpicas da prefeitura a vereadores", acusa a parlamentar. Ela também afirma que Paes usou vereadores "laranjas" para assumir o desgaste por projetos de repercussão ruim, como o Plano de Estruturação Urbana das Vargens, que alterou regras de ocupação em Vargem Grande e Vargem Pequena, e a criação da Taxa de Iluminação Pública.

Andréa diz, porém, que a prática política do prefeito, que chama de "muito ruim", se combina com iniciativas "interessantes" de gestão, como o estabelecimento de metas por secretaria. "O PPA (Plano Plurianual) que ele lançou tem muitas coisas boas, muito boas, bons indicadores para acompanhar e ver resultados", admite. Paes foi do PSDB, antes de se mudar para o PMDB.

O líder do governo na Câmara, Adilson Pires (PT), defende Paes, dizendo que a postura dele em relação ao Legislativo tem sido elogiada pelos vereadores. "O prefeito recebe a todos, com mais informalidade, é muito brincalhão", diz. Segundo Pires, isso garantiu a aprovação de mais de 40 projetos de interesse do Executivo, alguns polêmicos, como a alienação de terrenos para o metrô e o uso de organizações sociais na gestão municipal.

Ele atribui a relação de Paes com parlamentares polêmicos, como Girão, e sua atitude sobre vilas olímpicas, nomeando indicados, à compreensão do prefeito de que os vereadores são representantes do povo, com peso local.

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