Oposição critica ministro da Justiça

Senadores de oposição afirmam que o titular da pasta da Justiça, Tarso Genro, vai provocar uma segunda crise com a Itália. Para justificar a decisão de manter no Brasil o ativista Cesare Battisti, o ministro apontou um viés "fascista" na pressão do governo da Itália. Vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR) rebateu a declaração, afirmando que, ao defender a permanência do italiano no Brasil, é Tarso quem "se porta como fascista".

Carol Pires, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2009 | 00h00

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti, como pede o governo italiano. Mas deixou a decisão final sobre entregar o ativista ao país de origem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tarso afirmou que há uma tendência no Planalto de manter Battisti no País por razões "humanitárias e políticas".

Em janeiro, o ministro concedeu refúgio a Battisti, apesar de o Conselho Nacional para Refugiados (Conare) ter rejeitado o benefício para o ativista. Para ele, "vem sendo constatado crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana".

"O governo italiano vai entender isso como um insulto à sua realidade. O fascismo foi varrido da Itália há muito tempo. O ministro não deveria ter insultado a Itália", afirmou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). "O ministro perdeu boa oportunidade de ficar calado. E o presidente tem que tomar a atitude correta e extraditar Battisti, como disse o STF", declarou o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

"Tarso não é ministro da Itália e deve se comportar como ministro brasileiro. A cada dia ele dá mais sinais de megalomania, como o presidente Lula", afirmou Dias. "A atitude do ministro é de arrogância e prepotência."

Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, Tarso tem dado "várias declarações infelizes". "Parece até que ele é segurança do Battisti e não ministro", criticou. "O Brasil tem de cumprir o que mandou a Justiça, extraditar Battisti e ponto."

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), defensor da permanência de Battisti no Brasil, afirmou que a declaração de Tarso não deve repercutir mal na Itália nem deve influenciar a decisão de Lula.

Segundo o petista, a decisão de Lula vai levar em conta o processo contra Battisti e "informações sobre o alto índice de suicídios nas prisões italianas, principalmente entre presos políticos".

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